JULIA VALESCA PAIS:
"A noite é dos pássaros"

E OS PÁSSAROS POUSARAM SOBRE O MEU PAPEL - REFLEXÕES CRÍTICAS SOBRE O ROMANCE “A NOITE É DOS PÁSSAROS”

INDEX
Objetivo
Resumo
Sumário
INTRODUÇÃO
1 – Nicodemos Sena e sua fortuna crítica
2 – Hans Staden e Duas viagens ao Brasil
3 – Nicodemos Sena e A noite é dos pássaros
4 – Uma leitura comparada
         4.1 – O elemento religioso
         4.2 – O caráter de Alexandre Rodrigo Ferreira X Hans Staden
         4.3 – O relato dos costumes tribais
         4.4 – A diferença de gênero entre as obras
5 – A noite é dos pássaros e a Pós-Modernidade
         5.1 – O ecletismo estilístico em A noite é dos pássaros
         5.2 – A intertextualidade em A noite é dos pássaros
         5.3 – O  hibridismo em A noite é dos pássaros
CONCLUSÃO
REFERÊNCIAS
ANEXO: ENTREVISTA COM NICODEMOS SENA

5.2 – A intertextualidade em A noite é dos pássaros

          A intertextualidade ocorre quando há uma relação entre textos, seja ela implícita ou explícita. No romance de Nicodemos a intertextualização com outras obras é clara; o próprio autor, no posfácio, diz que “Da primeira à última linha do livro o leitor poderá encontrar vestígios, sincronizados na narrativa, de mais de uma centena de livros, escritos em boa parte do século XVIII” (SENA, 2003: 131.). Há vários momentos de diálogos explícitos, por exemplo, com o relato de viagem do alemão Hans Staden, Duas Viagens ao Brasil, pois para iniciar a sua narrativa ele retira deste, como já mencionado desde o primeiro capítulo, acontecimentos e personagens, ou seja, o roteiro para criar a sua história.

Ultimamente, quando as mãos assim não se ocupam, seguram um velho e carunchento livro que veio dar em terra depois do naufrágio dum patacho português, e que os índios, não vendo nele qualquer utilidade, entregaram-me. Já o li tantas vezes que conheço de revestrés o seu conteúdo, reinventando as páginas extraviadas sem precisar usar toda a minha imaginação, uma vez que o livro traz uma história com a minha bem parecida. (1)

         Essa intertextualidade, porém, não impede que o autor crie o seu próprio texto, pois o que ele faz é aderir originalidade a um texto já conhecido. Nicodemos apenas utiliza-se de partes do livro do alemão Hans Staden para dar iniciação ao seu processo criador e original. Portanto, o que ocorre na verdade é o que chamamos de referenciação, uma vez que a intertextualidade servirá apenas para acentuar a capacidade criadora do autor em expressar a subjetividade do narrador. O autor não se prende na história do alemão, ele a usa como cenário para iniciar seu romance e daí por diante dar continuidade à sua história, e com muita originalidade.

 
(1) SENA, Nicodemos. A noite é dos pássaros. Belém: Cejup, 2003. p.13,14.
 
 
 

 

 

 




 



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