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::::::::::::::::::::Pedro Proença::::
NAUGHTY-NOT-ME
INDEX
Versículos 71-80
Versículos 81-90
Versículos 91-100
Versículos 101-120
Versículos 121-130
Versículos 131-140
Versículos 141-145
Versículos 1-10
1

O homem é vagamente vivo, parcialmente morto, tendencialmente emergente e presencialmente ressurrecto.

2

O tempo obriga-nos a fazer falsas escolhas. A incapacidade de pensarmos o que é o nó cego do tempo de um modo convicto convida às aporias adjacentes e a um sentimento de equivoco generalizado. Escolhemos porque sabemos que a vida é um cocktail entre as nossas falsas escolhas (como burlesco bluff) e a máquina de indeterminação que não é nada mais nada menos do que a encarnação em mutação das complexidades.

3

O homem é semi-ressurrecto. As velhas categorias descaracterizam-no como uma branda caricatura. Tudo é reconsiderado como um palimpsesto quase infinito. Rescrevemos o passado como se este fosse um vazio. A existência humana traduziu-se em desistências inumanas.

4

Procuras eleminar a teatralidade das influências. Demasiadas palavras? Muita pompa? O desapego é um paradoxo e uma maquina que reapropria cinicamente todos os apegos. Queremos ser eficazes ou ligeiros? Destrutivos, instrutivos ou construtivos? Irónicos e emocionais ao mesmo tempo? Milénios de equívocos não nos parecem inúteis. É graças a esses equívocos que fabricamos a paradísiaca comédia do presente.

5

A consciência é uma interface. Existe como um atribulado conflito das suas precedências. Faz um esforço para não se retirar. O «inconsciente» é uma mentira que assinala ou a inexistência concreta de um lugar da consciência ou a propensão construtiva/destrutiva dessa interface. A consciencia é um organismo a tentar morder na cauda do tempo.

6

O homem é carne (ressurrecta). A consciência é uma aberração abstracta que distrai a carne da dor. A abstracção finge que desencarna. Essa desencarnação fingida tem saudades da carne. A saudade, a nostalgia, é apenas o equívoco dessa alienação do corpo. Podemos dizer que a abstracção é uma particularidade da carne que procura negá-la. O homem é «artista». Resiste ao environment criando um anti-environment. Está em transição não para um meio mas para uma mediação activa. Anda a pastar creativamente na sua acção-reacção à estranha mistura entre a sua criatividade particular e natural (mas generalizante) e a criatividade geral e particularizante da natureza.

7

Farejamos o passado antes de nos atirarmos ao seu tutano.

8

As abstracções são tumultuosas mesmo no seu túmulo. Organizam os nossos fenómenos como mortos que tentam influenciar vivos através de uma magia subterrânea.

9

A habilidade e a correspondente inabilidade (mais as ferramentas adjacentes) põem-nos frente a frente com o que acontece. O que acontece é apreendido parcialmente, capturado pelos padrões que vagueiam nos fluxos organizacionais dos corpos. Os ritmos vêm ter conosco. O conhecimento é melodioso. O homem ressurge dos seus estigmas e das suas mortes. O homem morre quando o seu environment se torna redundante. O homem cria um anti-environment para sair do seu conforto e das suas certezas. As certezas e os habitos matam. A simplificação dissimula os aspectos transicionais. A pele processa as informações metamórficas. A vanguarda do saber é mimética ou abdutiva. Não sabemos ainda o que é que estamos a inventar em colaboração com o mundo. Não tarda vamos ter um feedback. Toda a invenção é performativa. O mundo é radicalmente performativo.

9

Toda a vida é do passado. Toda a vida é do presente, ainda que não saibamos exactamente o que ocorre ou ocorreu quer no passado quer no presente. O que regressa regressa diferido.

Há uma memória activa na vida que complementa a nossa memória individual. É a memória individual que se excita com os feedbacks e que cria padrões que deformam a apreensão da memória activa. O esquecimento é o pai das formas.

10

As coisas são notações que requerem que componhamos musicas. É no intervalo que surgem os conceitos enquanto ramificadores da felicidade. Os conceitos não são secos e estão cheios de seiva. A sintaxe não obriga a dizer, mas condiciona o dizível. Deus não está na sintaxe. Caso existisse Deus este seria desprovido de sintaxe. Deus é o momento assintático das enunciações. Há mais intervalos do que julgamos na actividade da consciência. A meditação é a continuidade absoluta na condução da consciência? O extase é uma fulgurância desconectiva? A percepção é o retorno de um meio geral a um meio particular. A mensagem é a digestão da percepção, é um trabalho autonomo de falsificação. O meio alerta, o corpo responde como pode, para dentro ou para fora. O sentido é forjado na pausa, no intervalo em que o environment se parece ausentar.

 
 
 

 

 

 


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