:::::::::::::::::::RUY VENTURA:::::

POESIA ORAL COM AUTOR:
UM TERRITÓRIO ULTRAPERIFÉRICO

FRANCISCO CARLOS BENTES:
O que serve à morte o pranto

O que serve à morte o pranto

e os sinais por quem morreu

se a morte traz o descanso

para tudo quanto nasceu

 

A terra tudo reduz

a cinza pó e matéria

a toda a alma finéria

que no mundo perde a luz

o que é infame seduz

não há um lamento santo

que proteja com os seu manto

para o inferno salvar

e tudo lhe vai constatar

o que serve à morte o pranto

 

A grande fatalidade

vem indo de quando em quando

ela tudo vai levando

para aquela eternidade

talhando na igualdade

idade nunca escolheu

ela não obedeceu

ao mais triste lamentar

que não vale a pena tocar

os sinais por quem morreu

 

Ela traz a paz ao mundo

o infinito repouso

leva o mais generoso

para o pé de um vagabundo

nesse descansar profundo

sinto mais um balanço

tem tudo o seu alcance

sem escutar ais nem lamentos

para todos os sofrimentos

a morte traz o descanso

 

Alta civilização

não vale a pena estudar

porque quando ela chegar

finda-nos toda a lição

não dá culpas nem razão

funda-se em critério seu

ela tudo recolheu

infame potência forte

e traz ela a mais pouca sorte

para tudo quanto nasceu

FRANCISCO CARLOS BENTES, n. 01/02/1924, Pedrógão do Alentejo (dist. Beja) (Navarro, 1980: 161 - 162)

 

 




 



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