:::::::::::::::::::RUY VENTURA:::::

POESIA ORAL COM AUTOR:
UM TERRITÓRIO ULTRAPERIFÉRICO

GIL QUINTAS:
Corto pau e esgalho rama

Corto pau e esgalho rama

e tenho a vitória ganha

morra o homem e fique fama

e defenda o seu camarada

 

Corto batalhas de amor

corto afectos ao bem querer

a todos corto o saber

eu corto e sou cortador

no corte tenho valor

corte com o corte se chama

cortei redes a quem ama

e corto madeira de azinho

a todos corto o caminho

e corto pau e esgalho rama

 

Tenho uma coisa bastante

tenho e não a publico

tenho fé em ainda ser rico

e tenho ciência no canto

tenho andado de alevante

e tenho a tenção formada

e com a minha espada

tenho muita gente ferido

a tudo tenho resistido

e tenho a vitória ganhada

 

Morra a desgraça e o ladrão

morra quem tem mau sentido

morra quem for atrevido

e morra a má inclinação

morra toda a geração

e morra quem a morte chama

morra o doente na cama

morra o tocador tocando

morra o fadista publicando

e morra o homem e fique fama

 

Defenda-se quando se vir

nalgum barulho metido

defenda-se com o seu sentido

defenda-se e não atire

defenda-se sem pedir

defenda-se e não gaste nada

defenda-se com a sua espada

e defenda-se como puder

defenda-se a si se quiser

e defenda o seu camarada

GIL QUINTAS, n. 01/06/1907, Montoito (dist. Évora) (Navarro, 1980: 61 - 62)

 

 




 



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