::::::::::::::::::::::::::::::::Rodolfo Alonso::::

ANTOLOGIA POETICA
Traduções de José Augusto Seabra

O poeta procura trabalho
Sombras frias
A cicatriz
Nem príncipe nem mendigo
O cometa Durruti
Entretanto
Bons Ventos
Duro Mundo
O músico na máquina

Poemas de “BONS VENTOS”
Buenos Aires, 1956

BONS VENTOS

O nosso amor foi uma beleza incandescente, passeada assim com dignidade entre sobressaltos e desculpas.

O nosso amor cresceu de um golpe, auspiciado pela boa vontade de alguns ventos que souberam senão alterar os nossos caminhos, unificar as nossas distâncias, dar-nos uma mão.

Foram os únicos culpados desta feroz batalha pela aventura, recentemente concluída.

RASGO DO VINHO

Reconheço-me nas baixas tormentas.

No torvelinho surdo, no pobre estampido, volto a agarrar os meus dedos com certa angustiosa segurança.

FANDANGO

Necessito do teu olhar. E também da cadência leve dos teus passos afastando-se no tempo.

Necessito de que me detenhas, de que faças de mim um dos teus braços ou das tuas pernas, um qualquer dos teus órgãos.

PASSOS EM LIBERDADE

Vou no meio do vento tíbio que comove o asfalto.

Entre tantos, amo o futuro dominado por palavras que me contradizem e me tornam miserável.

Os pés seguros do vagabundo vão um pouco mais longe.

ATÉ AO FIM DO MUNDO

Uma mulher e um homem abrem a noite para que nos demos conta.

Resistem em silêncio, entre as graves maldições que percutem o céu.

Eles ganham as suas mãos com um lance de sorte.

A meio do caminho, a verdade já vai ficando para trás.

A GRANDE VIDA

O vento que limpa o meu coração, que fez rodar o meu fervor pelas calçadas, bebe orgulhoso à saúde da tua cabeça.

Do novo amor, brilhante como um machado, que continua a cortar pelo que é são.

Rodolfo Alonso. Poeta, traductor y ensayista argentino. Fue el primer traductor de Fernando Pessoa en América Latina. Premio Nacional de Poesía (1997). Orden “Alejo Zuloaga” de la Universidad de Carabobo (Venezuela, 2002). Gran Premio de Honor de la Fundación Argentina para la Poesía (2004). Palmas Académicas de la Academia Brasileña de Letras (2005). Premio Único de Ensayo Inédito de la Ciudad de Buenos Aires (2005). Premio Festival Internacional de Poesía de Medellín (Colombia, 2006).

 

 

 




 



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