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ANTONIO SÁEZ DELGADO: DIAS, FUMO
(Tradução de Ruy Ventura)
ALMA AZUL . 2003

DIAS, FUMO - INDEX
NOTA PRÉVIA

As coisas que se passam com um homem passam-se com todos os homens. A frase (que me parece quase teológica) é de Borges. Os poemas de Dias, fumo nasceram abrigados pelas coisas que se passam com todos os homens: a passagem do tempo, a morte pressentida mas nunca anunciada, as perguntas sem resposta e as respostas sem perguntas. Coisas que, como o leitor pode verificar, gozam de maior prestígio na literatura do que na vida.

As prosas que compõem este livro publicaram-se em dois volumes independentes. Os fragmentos que abrem e encerram o conjunto constituem um poema único, com doze andamentos, que se intitulou Ruinas [2001] na sua versão castelhana. O conjunto central, algumas prosas dedicadas a lugares concretos da cidade de Badajoz, foi dado à estampa no volume colectivo Relatos al atardecer [2002], ainda que no seu espírito e na sua inspiração tenha estado sempre presente a vontade de serem poemas em prosa. Quase sem dar-me conta, cresceram em paralelo estas duas formas de ruína: a do tempo e do espaço, a da memória e a da própria vida, sua única morada definitiva.

Entre os poemas que escrevo e os poemas que gostaria de escrever vai tanta distância quanto a que media entre a vida que vivo e a que gostaria de viver. Quem não gostaria de viver, ver, sentir em seu redor outra vida mais plena, que não murche a cada momento?

 

A. S. D., Évora, julho de 2003

RUY VENTURA (Portalegre, 1973) é professor na península da Arrábida. Publicou, em poesia, Arquitectura do Silêncio (Lisboa, 2000; Prémio Revelação de Poesia, da Associação Portuguesa de Escritores), sete capítulos do mundo (Lisboa, 2003), Assim se deixa uma casa (Coimbra, 2003) e Um pouco mais sobre a cidade (Villanueva de la Serena, 2004) e O lugar, a imagem (Badajoz, 2006 – no prelo). Organizou as antologias Poetas e Escritores da Serra de São Mamede (Vila Nova de Famalicão, 2002), Contos e Lendas da Serra de São Mamede (Almada, 2005) e Em memória de J. O. Travanca-Rêgo e Orlando Neves (na revista Callipole, nº 13, Vila Viçosa, 2005) e o livro José do Carmo Francisco, uma aproximação (Almada, 2005). Traduziu a antologia 20 Poetas Espanhóis do Século XX (Coimbra, 2003) e os livros de poemas Dias, Fumo, de Antonio Sáez Delgado (Coimbra, 2003), Jola, de Ángel Campos Pámpano (Badajoz, 2003) e A Árvore-das-Borboletas, de Anton van Wilderode (Badajoz, 2003). É colaborador de várias revistas nacionais e estrangeiras, nomeadamente espanholas, brasileiras e americanas. Como ensaísta, tem escrito sobre Poesia Contemporânea, Literatura Tradicional e/ou Oral e Toponímia.

 

 




 



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