Oscar Portela

"Ignatius" do latim - preferiria ingrato e tal vez o seja -, mas devo remeter-me àquele poema de Nietzche que diz: "Conheço meu destino/ como a chama abraço tudo o que toco/ e o converto em cinzas" (não textual): entretanto, a combustão na qual me desintegro de forma quase permanente, surge das águas: são chamas que ardem nas profundezas de límpidos arroios, e se elevam às profundezas do céu. Ainda que o Éter não seja meu elemento, assim creio, também por Vênus, a lua rege os eventos que marcam o destino de minha vida, e o feroz Taurus, e o Tigre de Metal, enraizados na terra, são os passadiços pelos quais baixo as profundezas do Averno. Terra, céu, água e ar, formam a cruz que Heidegger traçou desta maneira: terra, céu, mortais, imortais: água para os mortais, feridos pela sede de absoluto e ar para os etéreos que se dissipam no Olimpo, esquecidos das penúrias da terra. Essa penúria o fez dizer a Artaud, todavia não estamos na terra, mas creio como Trakl que ainda que a alma seja peregrina sem morada, sim, a terra e apenas a terra, é o âmbito aonde cresce o espírito e assim somos como vegetais que lutam por se perpetuar em um denso bosque, e não outra coisa. Em "Teseu", Gide declara pela boca do herói sua fidelidade à terra, a esta aonde houvemos enterrado nossos mortos, e cravado nosso coração, a esta infernal morada, a esta abóbada firme, que é nossa prisão, mas também o âmbito do "Aberto" - aonde a "lichtung" - sombra e luz jogam a dança do esquecido claro-escuro - não a luz que abre desde acima uma comarca, não o "lúmen", senão a graça do que se dá, se doa e se pode retirar, porque desta aliança nasce a linguagem poética. A pedra, o gelo, ou o silício, não tem lugar nesta rubrica, Aonde Nos prometemos às bodas de Himeneu, aquelas esquecidas, pela ânsia da alteridade, do ilimitado infinito, de uma transcendência sempre transcendente em si mesma, desse excesso tão buscado no qual - se diz - o pensamento detém-se frente ao indizível, como os mortais se detiveram frente as Górgonas. Chama que se confunde com as águas, terra que tudo sustenta, corpo de Dioniso mil vezes destroçado, que morre e desaparece com seus filhos, para retornar eternamente, impulsionado pela força do desejo. Desejo é o Ígneo, a água é o mel do Desejo, a terra essa concavidade que oferece todas as guaridas - inclusive os passadiços mais secretos - , e desejo é aquele céu estrelado, que nos contempla nos chamando a essa soberana calma dos imortais, dos quais somos filhos, por império da força dos Titãs. E desejo é todo o lustral, tudo aquilo que se repete sem identidade nenhuma, Senão o prazer que almeja a Eternidade, enquanto a dor diz passa (Zaratrusta): deste modo, quando o homem retorna do espaço, desde a abertura física que lhe proporciona o cálculo físico - Matemático, apenas lhe restará como na obra de Lem, a contemplação dos Endríagos na água, de uma terra aonde, do mesmo modo que na água ardem as chamas do espírito, convertidas em cinzas, mas tornadas uma e outra vez a se corporizar, no Eterno Retorno do Mesmo.

 

 

Oscar Portela, nacido en la provincia de Corrientes ( República Argentina) el 5/13/50, es considerado hoy por las más importantes voces de la literatura de su país, como una de las más potentes voces de la poesía y el pensamiento latinoamericano. Administrador Cultural, ha ocupado importantes funciones en su provincia y ha integrado por dos periodos consecutivos la Comisión Directiva de la Sociedad de Escritores de la Argentina, presidente de la misma entidad en su Provincia, Director de revistas como Tiempo y Signos, entre otras, es y a sido Asesor de Cultura de la Honorable Legislatura de la Provincia de Corrientes. Doce títulos de su obra poética editadas (Senderos en el Bosque, Los Nuevos Asilos, Memorial de Corrientes, La Memoria de Láquesis, etc), y obras ensayísticas en las que se ocupa preferentemente del pensamiento filosófico contemporáneo, (Nietzsche sonámbulo del día), le han valido la consideración de importantes pensadores de su país.

Ha publicado en España, México, Venezuela, Paraguay, y casi todos los medios de prensa de la Argentin y dictado conferencias en España, Paraguay y provincias Argentinas. Asimismo es especialista en critica e historia del cine y es autor de letras de obras musicales en su mayoría inéditas.

 

 

 


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