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OS LIVROS DA WALKYRIA
JÚLIO VERNE
VINTE MIL LÉGUAS SUBMARINAS

CAPITULO II
Uma Proposta do Capitão Nemo

 

Estava na biblioteca, folheando vários livros e tomando notas, quando entraram o capitão Nemo e seu imediato. 

- Sr. Aronnax, gostaria de visitar os pesqueiros de pérolas do Ceilão? - perguntou-me o capitão Nemo.

- Com muito prazer, capitão.

- Pois darei ordem de rumar para o golfo de Manar, onde chegaremos à noite. Lembre-se de que veremos apenas os pesqueiros, e não os pescadores. 

O capitão deu algumas ordens em voz baixa a seu imediato, e este se afastou. 

- Doutor - disse então o capitão Nemo -, pescam-se pérolas no golfo de Bengala, no mar das Índias, da China e do Japão, no golfo da Califórnia e em outros lugares, mas é no Ceilão que essa pesca proporciona melhores resultados. Os pescadores se reúnem no golfo de Manar no mês de março, e durante todo o mês se dedicam a essa lucrativa exploração. Cada embarcação é tripulada por dez remadores e dez pescadores, divididos em dois grupos, que se submergem alternadamente e descem a uma profundidade de doze metros, utilizando uma pedra pesada que prendem entre os pés e é unida à embarcação por meio de uma corda.

- Então, usam esse antigo processo? - exclamei surpreso.

- Sim, professor. Ainda usam esse processo, apesar de esses pesqueiros pertencerem ao povo mais adiantado do mundo, os ingleses.

- Pois acho que o escafandro prestaria um grande serviço nessa tarefa. O senhor não pensa assim?

- Não há dúvida, professor. Porém, com o método antigo, os proprietários lucram mais. Sabe quanto ganham esses pobres pescadores que arriscam a vida e que nunca chegam a ficar velhos? Recebem cinco centavos por concha que contenha uma pérola, e são tantas as que se encontram vazias!

- Mas, isso é um absurdo - respondi. - Cinco centavos para essa pobre gente que enriquece seus patrões!... Não entendo...

- Pois é assim mesmo, professor. Isso é a civilização. A propósito, sr. Aronnax - disse o capitão mudando de assunto. - O senhor tem medo de tubarões?

- Confesso-lhe, capitão, que não estou muito familiarizado com eles. Não saberia o que dizer.

- Nós estamos acostumados com eles - respondeu o capitão -, e com o passar do tempo o senhor também se habituará. Nessa visita aos pesqueiros iremos armados, pois talvez tenhamos oportunidade de caçar algum tubarão. Até amanhã, professor, e procure estar pronto bem cedo. 

E dizendo isto, o capitão Nemo saiu do salão. Estava disposto a acompanhar o capitão Nemo naquela visita, embora pudéssemos encontrar tubarões, mas receava que meus companheiros não compartilhassem a mesma opinião. Era uma caçada arriscada.

 
 
   
   

 

 

 


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