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OS LIVROS DA WALKYRIA
JÚLIO VERNE
VINTE MIL LÉGUAS SUBMARINAS

CAPITULO I
No Oceano Índico

 

Como vimos, a vida do capitão Nemo transcorria inteiramente em meio àquele mar imenso. Os tripulantes tinham garantido até os seus túmulos no mais impenetrável os abismos, onde nenhum monstro perturbaria o último sono deles. 

Meu fiel criado pensava que o capitão Nemo fosse um desses sábios desconhecidos que desprezavam a humanidade. Porém, não compartilhava a mesma opinião. Havia algo mais que eu ignorava em toda aquela vida submarina. De fato, o mistério da última noite em que ficamos encarcerados em uma cela, parecia-me estranho e incompreensível e fazia-me duvidar das boas intenções do comandante do Nautilus. Achava que o capitão Nemo não estava apenas evitando os homens! 

Durante vários dias vimos grande quantidade de aves aquáticas, palmípedes e gaivotas, que foram caçadas com destreza, e depois de preparadas transformaram-se em um prato bastante apreciado. Por sua vez, as redes do Nautilus pescaram vários tipos de tartarugas marinhas, do gênero Careta, de dorso curvo e cujo casco é muito apreciado.

Na manhã do dia 24, passamos pela ilha Keeling e, a seguir, derivamos até o noroeste, em direção ao ponto extremo da península índica. Aproveitando esta oportunidade, Ned Land tornou a propor-me a fuga. De acordo com ele, em terra encontraríamos meios para voltar à nossa pátria. Tornei a pedir-lhe que tivesse paciência, pois o Nautilus rumava para a Europa e aí tudo seria mais fácil. O arpoador aceitou minha sugestão sem nada dizer. Mas acho que, de fato, não concordava muito com o meu modo de pensar.

 A partir de Keeling, nossa viagem foi muito lenta, embora variada, levando-nos, às vezes, a grandes profundidades. Adentramos até dois ou quilômetros, porém sem nunca verificar o fundo do oceano Índico, não alcançado por sondes de treze quilômetros.

No dia 25 de janeiro, o Nautilus passou o dia todo na superfície, agitando as ondas com sua potente hélice e fazendo a água saltar a grande altura. Permaneci sobre a plataforma, a maior parte do dia, contemplando o mar. De repente, fiquei surpreso ao avistar um navio a vapor na direção oeste, oposta à nossa. Nada pude fazer para chamar a sua atenção, pois ele não poderia ter avistado o Nautilus, que flutuava quase ao nível do mar. Não disse nada a Ned Land, pois em sua ânsia de fugir, teria sido capaz de lançar-se às águas, para alcançar o navio.

 No dia 26 de janeiro, atravessamos o Equador na altura do meridiano oitenta e dois, e entramos no hemisfério boreal. Durante o dia todo, fomos escoltados por um grande cardume de tubarões, que infestam aqueles mares e os tornam muito perigosos. Houve momentos em que esses predadores se atiraram contra os visores do submarino com grande violência. Ned Land queria sair até a superfície e arpoar esses monstros, que pareciam provocá-lo.

 
 
   
   

 

 

 


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