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OS LIVROS DA WALKYRIA
JÚLIO VERNE
VINTE MIL LÉGUAS SUBMARINAS

CAPITULO XVIII
Outra Vez na Cela

 

Tal como havia dito o capitão Nemo, a maré fez o Nautilus subir à superfície e permitiu reiniciar a navegação através dos mares. No dia 10 de janeiro, o navio prosseguiu sua tragetória com uma velocidade não inferior a trinta e cinco milhas por hora. Três dias depois chegamos ao mar de Timor e avistamos a ilha de mesmo nome. A seguir, contornamos os baixios de Cartier, Hibernia, Seringapatam e de Scott.

Passou-se uma semana sem novidade. Porém, certo dia, quando estava na coberta do navio, vi na minha frente o capitão Nemo, a quem me custou reconhecer. Seu corpo rígido, seus punhos fechados e a cabeça erguida denotavam a ira de que se achava possuído. Receei ter sido a causa de sua cólera. Será que ele pensava que nós havíamos descoberto algum segredo do Nautilus?

Finalmente, o capitão se refez. Sua fisionomia recobrou a calma habitual. Deu algumas ordens ao imediato, em sua linguagem misteriosa, e voltou-se para mim:

- Sr. Aronnax - disse em tom imperioso -, preciso exigir o cumprimento de um dos compromissos que contraiu comigo.

- Não sei a que se refere, capitão - retoqui.

- É preciso que se deixe encerrar naquela cela com seus companheiros, até o momento em que julgar conveniente restituir-lhes a liberdade.

- O senhor é o capitão, porém posso fazer-lhe uma pergunta?

- Não, senhor. Não tenho tempo para ouvi-lo.

E com esta resposta categórica, despediu-se sem deixar-me esclarecida aquela estranha ordem que tanto nos prejudicava.

Desci ao camarote onde se achavam Ned e Conselho e contei-lhes o sucedido. Ao cabo de quinze minutos, quatro tripulantes aguardavam na porta para cumprir as ordens do capitão Nemo. Não opusemos resistência e fomos conduzidos para a mesma cela em que passáramos a nossa primeira noite a bordo do Nautilus.

Ned Land estava furioso, enquanto Conselho, como de costume, aceitava tudo com calma. Seja como for, Ned se acalmou um pouco quando nos serviram o almoço. Pelo menos não íamos morrer de fome.

 

 
   
   

 

 

 


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