RISOLETA PEDRO
Inês III

Uma mão rompe a terra e ainda transporta o veio vegetal. Uma mão é planta de hábil seiva. Umas vezes serva outras vezes senhora, outras vezes antena autónoma na rotação. É dela o rodar. Se para o céu é raio se para a terra é esperma se para o sol relâmpago se para a nuvem pára-raios se para a serra ramo de árvore queimada e pára-vento e pára-sol e pára-luz, onde ainda corre o sumo.

Sacrifício. Mão morta mão morta vai bater àquela Inês. Onde pára a mão da que foi rainha morta e em desassossego?

A mão de Inês imita o luminoso estertor da árvore e morre de pé. Como alguém disse que devem morrer as mãos. Rainha morta fantasma no trono mão morta no reino.






















Risoleta Pedro
Vigo, 6.11.2005
"Inês" - Texto apresentado ao Filo-Café "Inês de Castro", Vigo, 5.11.2005
 

 




 



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