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SOPHIA, A VOZ QUE FICA
Selecta de Rui Mendes

POEMAS

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Ó noite, flor acesa, quem te colhe?

Sou eu que em ti me deixo anoitecer,

Ou o gesto preciso que te escolhe

Na flor dum outro ser

Poesia, 194
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NAVEGAÇÃO
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Distância da distância derivada

Aparição do mundo: a terra escorre

Pelos olhos que a vêem revelada.

E atrás um outro longe imenso morre.

Dia do Mar, 1947
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PRANTO PELO DIA DE HOJE
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Nunca choraremos bastante quando vemos

O gesto criador ser impedido

Nunca choraremos bastante quando vemos

Que quem ousa lutar é destruído

Por troças por insídias por venenos

E por outras maneiras que sabemos

Tão sábias tão subtis e tão peritas

Que nem podem sequer ser bem descritas

Livro Sexto, 1962
CORAL
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Ia e vinha

E a cada coisa perguntava

Que nome tinha.

Coral, 1950
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POEMA DE HELENA LANARI
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Gosto de ouvir o português do Brasil

Onde as palavras recuperam sua substância total

Concretas como frutos nítidas como pássaros

Gosto de ouvir a palavra com suas sílabas todas

Sem perder sequer um quinto de vogal

Quando Helena Lanari dizia o "coqueiro"

O coqueiro ficava muito mais vegetal

Geografia, 1967
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