Armando Nascimento Rosa

O eunuco de Inês de Castro

TEATRO DA COMUNA (Sala Grande)
dias 24, 25, 26, 27 e 28 de Outubro de 2007

O EUNUCO DE INÊS DE CASTRO
- Teatro no País dos Mortos - de Armando Nascimento Rosa

    O CENDREV apresenta no espaço da COMUNA-Teatro de Pesquisa, num intercâmbio entre ambas as companhias, uma das mais recentes peças de Armando Nascimento Rosa, no contexto de uma colaboração em permanência com o dramaturgo, iniciada em 2004. Esta constituirá a primeira apresentação em Lisboa deste espectáculo que estreou em Évora a 1 de Dezembro de 2006 no IV Encontro de Teatro Ibérico.

    Encenação de Paulo Lages; Música original de Carlos Marecos; Cenografia de Acácio de Carvalho; Figurinos de Manuela Bronze; Iluminação de João Carlos Marques; e Interpretação de Álvaro Corte-Real (2º Funcionário da Caronte & Filhos Ldª/Afonso IV), Figueira Cid (1º Funcionário da Caronte & Filhos Ldª.), Isabel Bilou (Constança/Catarina Tosse), Jorge Baião (Afonso Madeira), José Russo (Repórter morto/Fernão Lopes); Maria Marrafa (Inês de Castro), e Rui Nuno (Pedro I).

    Curto ciclo de representações: 24, 25, 26 e 27 às 21.30 horas; dia 28 às 16.00 horas
    Preço para estudantes: 4 euros
    Reservas: Teatro da Comuna (21 7221770; 21 7221777; 217221779)

    Será porventura chocante colocar uma terceira personagem, masculina, a interpor-se entre os lendários Pedro e Inês? Para quem assim o pense, convém assinalar que é na crónica de Fernão Lopes que encontramos a figura de Afonso Madeira, o escudeiro de Pedro I, barbaramente punido pelo rei, que o manda castrar por ciúmes; se bem que, diz o cronista, num parêntesis sintomático, «o rei muito amasse o escudeiro (mais do que se deve aqui dizer)». Com isto dizendo o prosador da corte aquilo que supostamente lhe era recomendado ocultar.
    Do desejo de ampliar teatralmente esta personagem, incómoda para a visão convencional do mito inesiano, nasceu O Eunuco de Inês de Castro (Teatro no País dos Mortos); conferindo expressão cénica a uma bissexualidade de Pedro, criminalmente tingida, sobre a qual já Natália Correia, em ensaio de 1986, chamava a atenção para a necessidade de uma psicanálise a realizar em torno dos símbolos da cultura em Portugal.
    O Eunuco de Inês de Castro (Teatro no país dos mortos), peça em acto único, é uma fantasmagoria em jeito de sátira dramática, que foi a melhor forma encontrada para chamar de novo à cena estas figuras históricas, mitificadas pela imaginação popular e literária ao longo de séculos.
        A acção decorre na actualidade, mas no não-lugar que é o país dos mortos, mais precisamente na ilha onde habitam» Inês e Constança, em amistosa convivialidade. O núcleo do conflito pode resumir-se brevemente: Inês está separada de Pedro no país dos mortos, e recusa-se a tê-lo por companhia na sua ilha (o país dos mortos é composto, muito helenicamente, por milhentas ilhas, nas quais a empresa de Caronte & Filhos Ld.ª possui o monopólio dos transportes marítimos), em virtude de nunca Inês o ter perdoado pelo castigo horrendo que ele infligiu sobre o seu escudeiro. Isto será motivo para que as personagens teatralizem esses eventos do seu passado, enquanto fantasmas-actores, de modo a operarem uma espécie de catarse psicodramática, na tentativa de entenderem o que as separa, ou não, irredutivelmente. Peça séria e paródica, grotesca e histórico-poética, recheada de comicidade anacrónica, e de alguma virulência expressiva grand-guignolesca. Brincando com ressonâncias dramatúrgicas, é como se Vicente e Patrício se cruzassem de súbito na strindberguiana ilha dos mortos, assistidos pelo olhar de Genet e de Nelson Rodrigues.

Armando Nascimento Rosa

do preâmbulo à peça publicada em livro numa edição Casa do Sul (Évora, 2006),prefaciada por Patrícia da Silva Cardoso, e editada em castelhano por De la luna libros (Mérida, 2007), com tradução de Antonio Saéz Delgado.
CONVITE
SESSÃO DE DEBATE EM TORNO D'O EUNUCO DE INÊS DE CASTRO
CAFÉ-TEATRO DA COMUNA, DIA 25 DE OUTUBRO (QUINTA-FEIRA) PELAS 18.30 HORAS
A peça / O espectáculo / O livro / O tema

No dia 25 de Outubro, pelas 18.30 horas, no Café-teatro da Comuna, realiza-se uma sessão de debate em torno da peça O EUNUCO DE INÊS DE CASTRO - TEATRO NO PAÍS DOS MORTOS, de Armando Nascimento Rosa, com vários intervenientes convidados, num clima de conversa informal, com entrada livre. Estarão presentes o autor, o encenador Paulo Lages, a prefaciadora (da edição em livro da peça) Patrícia da Silva Cardoso, da Universidade Federal do Paraná (Curitiba, Brasil), bem como ainda os participantes convidados: Maria Leonor Machado de Sousa, Eugénia Vasques, Rui Pina Coelho, São José Lapa, Carlos Machado Acabado, Maria Estela Guedes, Maria João da Rocha Afonso, António Serzedelo, Jorge Pereira de Sampaio, entre outros.
A sessão será moderada por Sílvia Alberto.

A peça encontra-se publicada em livro em duas edições:
Edição portuguesa - Évora, Casa do Sul, 2006;
Edição espanhola - Mérida, De la luna libros, 2007
(Tradução para castelhano de Antonio Saéz Delgado).

Esta sessão tem lugar no momento em que decorre um curto ciclo de representações d' O EUNUCO DE INÊS DE CASTRO em Lisboa, em Outubro, no Teatro da Comuna (sala nova) nos dias 24, 25, 26 e 27, às 21.30 horas, e no dia 28 às 16.00 horas. O espectáculo é uma produção do Cendrev - Centro Dramático de Évora (estreado em Évora em Dezembro de 2006 no IV Encontro de Teatro Ibérico) e tem encenação de Paulo Lages, cenografia de Acácio de Carvalho, figurinos de Manuela Bronze, e música original de Carlos Marecos. A interpretação, a cargo do elenco da companhia eborense, é de: Álvaro Corte Real (2º Funcionário da Caronte & Filhos/Afonso IV), Figueira Cid (1º Funcionário da Caronte & Filhos), Isabel Bilou (Constança/Catarina Tosse), José Russo (Repórter Morto/Fernão Lopes), Jorge Baião (Afonso Madeira), Maria Marrafa Inês de Castro), e Rui Nuno (Pedro I).
 
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