NELSON BOGGIO

Fábrica do Vidro

ÍNDICE GERAL

Segundo acto                          

Cena I

( Sótão da casa de Eduardo na vila)

Eduardo: Toma, tens aqui as cópias. ( Entregando-lhe um molho de papéis). Se me acontecer alguma coisa já sabes. E não digas que há outra forma de fazer as coisas. Se queremos dinheiro é assim que devemos proceder. Tenho de o surpreender antes que possa pensar.

Baleia: Não te acontece nada se disseres o que uma certa pessoa, que sou eu, tem na sua posse.

Eduardo: Vou levar estas provas e chega. Não me vai fazer mal.

Baleia: Nunca se sabe.  

Eduardo: Sim, em último caso digo-lhe isso. Mas é como te digo: vai ficar assustado quando vir que não é mentira. Quando chegar á conclusão de que aquilo que lhe tenho dito a respeito das provas que o incriminam é verdade. É só aparecer por lá no momento exacto...quando estiver sozinho...e aguardar... 

Baleia: Subornaste o porteiro?  

Eduardo: Tudo tratado. Vai deixar o portão da lavandaria aberto. Depois é só meter-me num dos contentores que é depois deixado nas salas de costura. E depois trato do resto. Subo até ao primeiro piso sem problemas uma vez que o bom do porteiro chamou os guardas... e enquanto este lhes diz que o intruso já foi à vida, tenho uma conversa com o senhor Ualt. Mostro-lhe as provas, e depois temos o cheque.  

Baleia: E se não fizer isso?  

Eduardo: Digo-lhe o que uma certa pessoa tem. Mas não acho que o fará. Para ele eu não serei mais do que um idiota a fazer o que está certo. Mas direi que ficará muito surpreendido quando me ouvir a exigir aquele dinheiro todo.

                                                   

Nelson Boggio nasceu em Proença-a-Nova, no distrito de Castelo Branco. Aos 16 anos ingressa na escola profissional ACE no Porto onde teve as sua primeiras experiências teatrais com  o encenador Rogério de Carvalho, com os actores e professores João Paulo Costa e António Capelo, entre outros. Enquanto aluno da escola participou como figurante na peça de teatro O Coriolano, de Shakespeare, dirigida por Jorge Silva Melo. Entrou em peças encenadas pela escola. Desde Gil Vicente com direcção de António Capelo, a peças como Os sete pecados mortais dos pequenos burgueses, de Brecht com Kuniaki Ida com o qual desenvolve também a máscara neutra. Tem também ateliers à volta do Clown com Alan Richardson.  Aos dezanove anos entra para a Escola Superior de Teatro e Cinema, onde volta a reencontrar o professor e encenador Rogério de Carvalho, e onde começa pela primeira vez a trabalhar em cena os textos clássicos gregos. Tem também como professores o encenador José Peixoto, o Professor Luca Aprea em corpo, o professor Francisco Salgado, Álvaro Correia, João Mota, Carlos J. Pessoa, com o qual trabalhou três peças de teatro na sua companhia O teatro da garagem.  Participou na peça Os Anjos de Teolinda Gersão a convite do professor e encenador João Brites, em Palmela. Participou como actor na peça “Les Bonnes/ As Criadas” de Jean Genet com encenação de Paulo Alexandre Lage, em Julho de 2005 na Casa Conveniente em Lisboa. 

 

 

 

 




 



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