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SOPHIA, A VOZ QUE FICA
Selecta de Rui Mendes
CORAL
.
Ia e vinha

E a cada coisa perguntava

Que nome tinha.

Coral, 1950
POEMA DE HELENA LANARI
.

Gosto de ouvir o português do Brasil

Onde as palavras recuperam sua substância total

Concretas como frutos nítidas como pássaros

Gosto de ouvir a palavra com suas sílabas todas

Sem perder sequer um quinto de vogal

Quando Helena Lanari dizia o "coqueiro"

O coqueiro ficava muito mais vegetal

Geografia, 1967
.
SONETO DE EURYDICE
.
Eurydice perdida que no cheiro

E nas vozes do mar procura Orpheu:

Ausência que povoa terra e céu

E cobre de silêncio o mundo inteiro.

Assim bebi manhãs de nevoeiro

E deixei de estar viva e de ser eu

Em procura de um rosto que era o meu

O meu rosto secreto e verdadeiro.

Porém nem nas marés, nem na miragem

Eu te encontrei. Erguia-se somente

O rosto liso e puro da paisagem.

E devagar tornei-me transparente

Como morte nascida à tua imagem

E no mundo perdida esterilmente.

No Tempo Dividido, 1954
.
 
   
   

 

 

 


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