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DICIONÁRIO HISTÓRICO DAS ORDENS
E CONGREGAÇÕES EM PORTUGAL
Em parceria com o Instituto São Tomás de Aquino,
a revista Brotéria e a Gradiva Editora, e com o
apoio especial de Sua Exª o Presidente da República,
Dr. Jorge Sampaio.
INDEX

Dicionário Histórico das Ordens em Portugal e no Brasil:
Mais que um «dicionário», um projecto de investigação (1)

José Eduardo Franco . Paulo Mendes Pinto . Sílvia Ferreira  

 

1. A origem do projecto

Nos últimos anos, a comunidade científica portuguesa tem assistido a um importante esforço de criação de ferramentas de investigação que sejam ao mesmo tempo propostas de sistematização, de balanço de área e alicerces para novos trabalhos. O campo lato das Ciências Sociais e Humanas tem recolhido aqui a maior prestação dos seus membros.

Nesse grupo amplo, genericamente rotulado de «Dicionários temáticos», vimos aparecer títulos em domínios muito específicos como o Dicionário de Educadores Portugueses ou o Dicionário de Generais, assim como assistimos a grandes balanços genéricos como o Dicionário do Estado Novo, os três volumes de actualização do Dicionário de História de Portugal, ou ainda, o Dicionário de História Religiosa de Portugal.

Respondendo a uma lacuna na produção editorial portuguesa, o Instituto São Tomás de Aquino da Ordem dos Dominicanos em parceria com a Revista Brotéria da Companhia de Jesus e a Campo das Letras Editora estão a preparar uma obra que seja um ponto de encontro entre os investigadores que nos últimos anos desenvolveram algum trabalho próximo das Ordens e instituições afins em Portugal.

Cientes da dificuldade, da morosidade, dos problemas metodológicos em causa e das dificuldades organizacionais inerentes a um projecto desta magnitude, o actual grupo de trabalho decidiu avançar com a constituição base do projecto.

Desta forma, está plenamente cumprida a primeira fase da organização sequenciada do programa, a que correspondeu principalmente:

  • definição final dos conceitos e ideia;
  • definição final da equipa coordenadora;
  • definição do corpo de entradas;
  • contactos para a Comissão Científica;
  • contactos para a redacção das entradas;
  • criação de parcerias para a boa realização da obra.

 

2. Pertinência e carácter inovador do projecto

É do conhecimento geral a importância que as ordens e congregações tiveram no passado e ainda continuam a ter presentemente na vida social, económica, profissional e política em Portugal e nos países de expressão oficial portuguesa.

Apesar desta consciência latente da sua influência na cultura e sociedade lusófonas, existe um forte e sentido défice de conhecimento preciso e global da variedade, complexidade, filiações confessionais, ideológicas e profissionais, assim como das metamorfoses históricas das diferentes instituições que se abrigam sob a designação de Ordem ou Congregação.

A comunidade cultural lusófona não dispõe de um instrumento actualizado, crítico e rigoroso que ao mesmo tempo ofereça uma visão global e evolutiva destas organizações sociais. Pretende-se com este Dicionário oferecer uma síntese interdisciplinar, informativa e interpretativa, bem escrita e de leitura agradável, que se torne uma referência incontornável sobre esta matéria do ponto de vista académico e cultural.

Por isso, uma obra deste género, orientada interdisciplinarmente por especialistas, elaborada com gosto estético e seriedade científica poderá ser um produto cultural do maior significado que sirva não só como meio de informação e instrumento pedagógico, mas também como referencial de pesquisa académica.

Um dos aspectos inéditos mais relevantes deste projecto do ponto de vista científico-editorial no panorama internacional será a integração numa só obra de ordens/congregações religiosas e das ordens civis, laicas, maçónicas e esotéricas. Estas serão devidamente enquadradas do ponto de vista comparativo na introdução crítica geral, relevando as suas metamorfoses históricas e as suas similitudes e dissimilitudes.

 
3. Que «Dicionário das Ordens em Portugal»?

O dicionário que agora se apresenta no campo das intencionalidades é fruto de uma longa maturação sobre o objecto em causa e o seu lugar na organização de Portugal como entidade histórica.

Efectivamente, não nos custa verificar o lugar central que o fenómeno das Ordens teve no nosso país, desde os tempos do início do reino português até à actualidade. Quer falemos da organização do espaço conquistado pelos nossos primeiros monarcas, ou do ensino primário e secundário da actualidade, um dado é certo e inquestionável: sem as Ordens e Congregações religiosas, esses fenómenos seriam, decerto, bastante diferentes.

Ora, uma das ideias centrais deste dicionário reside exactamente aí: no reconhecimento do lugar central que desempenharam nos diversos domínios de actividade importantes para o país.

Mas, verificando a centralidade do fenómeno, deparámos com a sua heterogeneidade. Este é, sem dúvida, um dos maiores desafios que se colocam a este projecto, e que se pode esquematizar em duas questões directoras:

  • como articular a longevidade das instituições com o fluir dos séculos e as mudanças a que elas estiveram sujeitas;
  • o que se entende, de facto, por «ordem» e por «congregação».

À primeira questão respondemos com o desafio de, para as Ordens e Congregações em que essa dificuldade mais profundamente se aplicasse, esperar que fosse a própria coerência da constituição das mesmas a dar a resposta ao inevitável passar dos séculos e à alteração dos desafios para que foram criadas; à segunda questão, respondemos com uma interpretação semântica que em muito veio enriquecer a nossa definição dos objectos em causa.

Assim, numa definição quase dicionarística, «ordem» e «congregação» corresponde para nós às organizações que reúnem um grupo de indivíduos em torno de um conjunto de princípios que pautam a sua postura perante o mundo e as suas actividades. Desta forma, uma ordem religiosa, que apresenta obviamente um ideário e uma espiritualidade próprias, entra nesta definição, tal como um grupo profissional que tem como uma das suas principais funções a produção de normas ético-deontológicas para observância dos seus membros e correspondente actividade.

No fundo, assumimos as duas realidades organizacionais na sua dimensão de criadoras de princípios éticos a que estão sujeitos, por livre vontade e por prestação de prova, os seus membros. Do ponto de vista vivencial, a uma ordem ou congregação acede-se por vontade própria na adopção de um conjunto de regras muito bem estabelecidas que pautam o dia-a-dia, vontade essa que é testemunhada em prova ou declaração solene. Como se pode depreender desta definição, partimos do princípio ecuménico-cultural, de que também fora do campo religioso se construíram entidades agregadoras de vontades que apresentam um vincado e muito bem definido ideário a que subjaz um sentido ético.

No que diz respeito à delimitação espacio-temporal, o objecto de trabalho compreende desde as origens da nacionalidade portuguesa até à actualidade, isto é, território português e territórios ultramarinos colonizados por Portugal que no decurso do processo de descolonização se transformaram naquilo que hoje denominamos comunidade dos Países de Expressão Portuguesa. Resta ressalvar que esta delimitação do Dicionário, relativamente a estes países, concerne apenas ao momento histórico em que as duas realidades convergiram, isto é, ao momento em que Portugal e a possessão ultramarina formavam um só país.

 
 
(1) Apresentação do projecto do Dicionário Histórico das Ordens em Portugal para discussão pública e para recolha de sugestões e informações complementares.
 

 

 

 


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