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José Roberto Baptista

Considerações sobre pesquisas em Parapsicologia

Há alguns anos disse em livro (Baptista: 2007) que as questões que envolvem a Parapsicologia vinham merecendo uma nova ponderação. De fato, hoje, passado o tempo, continuo com a mesma convicção. Nada mudou de lá para cá. Principalmente o fato, que já se tornou lugar comum, de atribuir-se à Parapsicologia ocorrências que nada têm de parapsicológico. Aqui a imaginação não tem limites.

 

Também em relação às críticas, nada mudou. Continuam as mesmas; os mesmos cacoetes, as mesmas incompreensões. A bem da verdade pouco se fala sobre Parapsicologia. Muito se fala da Parapsicologia, a começar pelos (ditos) parapsicólogos de plantão, sempre com um discurso ao sabor do vento. Nesse assunto, muitos têm algo a dizer. Poucos, contudo, com conhecimento de causa.

 

Caquéticos termos como anômalo, anomalia, no singular ou no plural, ressurgem das cinzas como se fossem a última fornada do conhecimento, para referirem-se, com desvantagem a outros termos, às mesmas e antigas ocorrências que envolvem a fenomenologia parapsicológica. Pouco dizem, nada explicam. Diga-se que, em Parapsicologia, o que não faltam são termos designativos.   

 

Experiências realizadas e desgastadas, que envolvem PES (Percepção Extrassensorial), são repetidas e alardeadas como investigações de ponta. Na verdade, por mais atuais e controladas que sejam tais experiências, a bem da verdade, são repetidas porque não envolvem, ou envolvem muito pouco, custo. Bastam alguns voluntários e um par de cadeiras e... pronto. O resto é marcar acertos e erros e aplicar o cálculo de probabilidades. As mesmas já foram realizadas aos milhares e milhares de Richet a Rhine e continuam repetindo-se, nos dias atuais, como podemos constatar através do recente estudo que serviu de chamada de capa para a revista ISTOÉ (2011), realizado pelo psicólogo Daryl J. Bem, da Universidade de Cornell e que mostra, na verdade apenas reafirma o que já foi dito na primeira metade do século XX por J.B.Rhine, inclusive, diga-se, com uma amostragem infinitamente superior de casos estudados. Isso para ficarmos restritos às pesquisas acadêmicas. Qual a novidade?

 

Ora, sejamos francos, não precisamos mais de evidências. Já as temos. Precisamos explicar como o(s) fenômeno(s) ocorre(m). Esse é o grande enfrentamento. De nada adianta criticar os estudiosos de serem desatualizados em relação às novas descobertas. Quais? Qual o fenômeno, subjetivo ou objetivo, do universo parapsicológico, que não tenha sido estudado pelos anteriores investigadores? E mais, qual a mais recente pesquisa que tenha chegado a uma "conclusão" diferente daquelas já conhecidas?  Ora, os estudiosos são tão desatualizados como os fenômenos de natureza parapsicológica. Estes são sempre os mesmos. Fenômenos de conhecimento, ou de ação sobre a matéria, sempre se apresentaram e continuam se apresentando da mesma maneira. Uns e outros são, sempre, "variações sobre o mesmo tema". O que mudou, objetivamente, foi o número de médiuns poderosos, como Home, Paladino, entre outros, que já nos tempos da Metapsíquica eram raros, como nos adverte Richet (sd) e que hoje, se ainda existirem, precisaremos de grandes lentes de aumento para encontrá-los. Não houve ao longo dos anos, em relação aos fenômenos, mutação, variação ou resistência. Continuam os mesmos. Estão aí para serem estudados, descritos, explicados. Nem mesmo a postura da ciência, em relação a eles, mudou. Um ou outro pesquisador, isoladamente, arrisca-se nessa seara. Isso também não mudou. A ciência oficial nunca deu a devida atenção aos fenômenos parapsicológicos. Rhine (1966), entre outros pesquisadores, já observou isso na primeira metade do século XX. E os poucos investigadores sérios envolvidos com tal fenomenologia correm hoje, assim como no passado, um grande risco de serem marginalizados por seus pares. As desculpas continuam as mesmas: falta de rigor metodológico, fraude etc. etc. etc. e, o fato, é que fenômenos parapsicológicos, singulares, cuja natureza precisa ser explicada, continuam presentes no nosso dia a dia. Não são contraditórios às leis da ciência. São novos. Isso já dizia Richet (op.cit.). Portanto, cabe à ciência explicá-los. Ela é soberana.

 

Muitos dizem que não acreditam em fenômenos parapsicológicos por que são cientistas e, enquanto cientistas pesquisam. Colocam-se, assim, através de frases de impacto, que muito agradam aos seus pares, acima de tudo o que já foi feito. Como se todo o conhecimento acumulado em parapsicologia tivesse surgido de mãos inábeis e pouco confiáveis. Em poucas palavras, nada do que foi feito até hoje deve ser considerado. É o eterno recomeçar. Contudo, já passou do tempo admitirmos que os fenômenos de natureza parapsicológica precisem mais do que um equipado laboratório para serem estudados e explicados. Inclusive, é distanciar-se de toda a fenomenologia parapsicológica desconsiderar-se que tais fenômenos, quando puros, são espontâneos e, por essa simples razão, não se submetem, com hora marcada, à vontade deste ou daquele pesquisador. Ora, essa é a grande dificuldade, desde o início das primeiras investigações, para estudá-los. Mas, mesmo perdendo grande brilho, lógico e desnecessário dizer-se que podem e, até mesmo, devem ser estudados em condições laboratoriais controladas. Mas isso é, foi e sempre será, uma aproximação. Embora necessária, e de grande ajuda, uma aproximação.

 

Da mesma forma, de nada serve dizer-se que, se os fenômenos não podem ser testados em laboratório, a parapsicologia não é ciência. Isso é de grande insensatez. Afinal, os fenômenos de natureza parapsicológica, como todo e qualquer fenômeno, sejam da natureza que forem, precedem a experimentação. Isso não faz deles uma mentira. O fato é que temos que assumir nossa incapacidade em criar meios de testá-los em vez de simplesmente rejeitá-los por não se submeterem a experimentações desejáveis dentro de um determinado corpus metodológico. Está em teste aqui a nossa capacidade de criar mecanismos suficientes para tal. Contudo, em vez disso, atribui-se ao fenômeno a culpa por não poder ser testado. Ou, ainda, o mais comum, já que somos incapazes de explicá-lo, atribuímos tais ocorrências ao acaso, falhas de observação etc. etc. etc, como já observamos anteriormente. Contudo, o fato inconteste é que os fenômenos de natureza parapsicológica continuam presentes. Negá-los por décadas, ridicularizá-los, não foi suficiente para eliminá-los.

Bibliografia

 

RICHET, Charles. Tratado de Metapsíquica Tomo I e II: Lake, sd.

RHINE, J.B. e PRATT, J.G. Fronteira Científica da Mente - Parapsicologia: Hemus, 1966.

Periódicos

RUBIN, Débora.  A premonição sob a luz da ciência. ISTO É, SP, n.2156, 50-56, mar/2011.

José Roberto Baptista é editor da ARTE-LIVROS Editora. Foi professor universitário e Diretor-Acadêmico de tradicionais instituições de ensino superior em São Paulo. É estudioso da fenomenologia parapsicológica e autor, entre outros, do livro Introdução ao Estudo da Parapsicologia (Arké, 2007), além de já ter escrito vários artigos sobre o tema. Dirigiu o IEP-SP - Instituto de Estudos Psicobiofísicos de São Paulo voltado, exclusivamente, ao estudo e ao ensino da Parapsicologia.

 

 




 



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