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José Roberto Batista
NDE - Near-Death Experiences e Parapsicologia

Tenho escutado, ao longo das minhas aulas, no Instituto de Estudos Psicobiofísicos de São Paulo – IEP-SP, falar-se da importância da Parapsicologia em relação às investigações do que se convencionou chamar de NDE – Near-Death Experiences ou, em português, EQM – Experiências de Quase-Morte.

A expressão NDE – Near-Death Experiences foi cunhada por Raymond Moody, Jr. e ganhou particular destaque com a publicação de seu livro Vida Depois da Vida (1975) referindo-se a um conjunto de sensações relatadas por pessoas que “retornaram” à vida após terem sido diagnosticadas como clinicamente mortas.

Interessante destacar-se que, mais do que sensações, tais ocorrências materializam-se, muitas vezes, em “certezas” capazes de transformarem a própria relação, de muitos que passaram por tais experiências, com a maneira de encarar a vida e, mais que isso, com o modo de compreender a morte.

Independentemente da formação cultural, intelectual, idade ou sexo, tais experiências são relatadas de maneira bastante similar entre aqueles que a vivenciaram: sensação de flutuar sobre o próprio corpo inerte, encontro com parentes já falecidos, ampliação dos sentidos, visão de uma luz intensa ao final de um túnel, etc.

Ora, diante disso, acredito que a Parapsicologia possa ter um papel de fundamental importância. Contudo, dizer-se isso é muito amplo. Isto por que pode dar a impressão, e este é especificamente o ponto que me preocupa, de estar a Parapsicologia às voltas com questões que vão além da vida ou, dito de outra forma, com questões que vão além da morte física e, nesse sentido, a Parapsicologia se colocaria, mesmo que subliminarmente, em defesa da tese de que a vida não se extingue com a morte física.

Mas, resta a pergunta: cabe, de fato e, mais que isso, de direito, à Parapsicologia defender tal tese?

Para Andrade (1976) respeitável parapsicólogo espírita, morto em 2003, essa possibilidade não deveria ser descartada. Afirmava ele ser “provável que, através da Parapsicologia, possamos dar uma resposta à velha e angustiante indagação da humanidade acerca da sobrevivência post-mortem”.

Portanto, diante desse entendimento, caberia à Parapsicologia envolver-se, repetindo o autor, com a “angustiante indagação” acerca da continuidade da vida após a morte física.

Contudo, vejamos como, logo em seguida, Andrade define, segundo ele, modernamente, o objeto de estudo da Parapsicologia.

A Parapsicologia tem por objeto a evidenciação e o estudo das “funções psíquicas” de natureza paranormal, designadas comumente por: telepatia, clarividência, pré e pós-cognição e psicocinesia.

O termo nesta definição que nunca é demais esclarecer é “paranormal” e Andrade o faz magistralmente: “o vocábulo “paranormal” deve ser considerado apenas no sentido de “além do normal”, “inusitado”, fora do conjunto dos fatos normais. Paranormal não deve ser confundido com “sobrenatural” (...)” ou seja, que ultrapassa o natural.

Desta forma, parece-nos claro que, para o autor, o limite dos estudos parapsicológicos limita-se ao natural, às funções psíquicas da pessoa humana, desnecessário dizer, viva.

Portanto, a Parapsicologia é uma área de conhecimento preocupada, sublinhe-se, única e exclusivamente com os vivos. Procura dar respostas a determinadas ocorrências, embora estranhas, por não serem habituais, dentro do universo humano. Esse é o seu papel.

Desta forma, defendemos que no exato momento em que se encerra a vida, encerra-se concomitantemente a experiência humana e, a partir disso, não podemos mais falar em Parapsicologia. Ir, além disso, seria extrapolar seus limites de ação. A Parapsicologia não pode tornar-se um campo de estudos em que tudo cabe. Não é assim com outras áreas do conhecimento (1). Não é assim com a Parapsicologia.

Portanto, no caso específico das EQM – Experiências de Quase-Morte acredito ser importante a contribuição da Parapsicologia não para a comprovação da possível existência da vida após a morte, o que extrapolaria seus limites, como já o dissemos, mas para o estudo, nesse limite traumático, se assim podemos a ele nos referir, de uma experiência humana em que acontecem determinadas e particulares ocorrências de interesse da Parapsicologia, como as já citadas anteriormente.

Claro deve ficar, contudo, que isso não significa dizer que a Parapsicologia não considere a possibilidade de uma inteligência outra. Todos os aspectos devem ser considerados para a investigação. Inclusive, não podemos deixar de lembrar que as investigações, hoje conhecidas como parapsicológicas, nasceram com o estudo de ocorrências atribuídas aos espíritos dos mortos. Contudo, coube à Parapsicologia dar respostas que colocaram em cheque tais alegações construindo, desta forma, uma nova maneira de compreender os fatos.

Dentro disso, não cabe dizer-se que a Parapsicologia foge da questão sobre a possibilidade de a vida continuar após a morte, pois aceitar tal afirmação seria o seu golpe fatal. Isto estaria revestido de muita fragilidade. Não se trata de fuga. Apenas de limitar-se ao seu campo de estudos e deixar a outras áreas, mais capacitadas para tal, a difícil tarefa de investigar o que está além da morte.

Nada mudará na Parapsicologia, assim como na Medicina, apenas para efeito de comparação, se for constatada, conclusivamente, a sobrevivência pós-morte.

O médico continuará tratando da pessoa viva. O parapsicólogo continuará estudando ocorrências relativas à pessoa viva. Nada mais.

BIBLIOGRAFIA CONSULTADA

ANDRADE, Hernani Guimarães. Parapsicologia Experimental. 2ª Ed. São Paulo:1976.

BAPTISTA, José Roberto. Introdução ao Estudo da Parapsicologia. São Paulo:Arché, 2007.

GONZÁLEZ-QUEVEDO, Oscar. O que é Parapsicologia. 32ª ed. São Paulo:Loyola, 2000.

IMBASSAHY, Carlos. Hipóteses em Parapsicologia . Rio de Janeiro:Ed. Eco, 1967.

MOODY, JR. Raymond. Vida Depois da Vida: relatos de experiências de quase-morte. Cascais-PT:Ed. Pergaminho, 2008.

(1) Usamos ao longo do texto “campo de estudos” e “áreas de conhecimento” como sinônimos por entendermos que ambas as expressões diferenciam-se mais na forma do que no conteúdo.

José Roberto Baptista é diretor do Instituto de Estudos Psicobiofísicos de São Paulo - IEP-SP. www.iepsp.com.br

 

 




 



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