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::::::::::::::::::::Pedro Proença::::
O IRRECONHECÍVEL
Soneto XX

Transfere as tuas pausas para músicas menos breves.

Há maus versos que garantem a esperança.

Cada mudança implica uma dura luta com a imobilidade.

É o tábu que formata o desejo e que deixa espuma nos meus sonhos tropicais.

As sombras gostam de macaquear os pecados da vista.

São os trilos do espirito que nos ensadecem.

A violenta ternura dos juramentos é fabricada pelo ciume.

Um amor aljofarado cujos panejamentos contribuem para uma espécie de derrota da vontade.

Não é desejo o que brandamente deseja, e o que não abarca todos os peitos – porque no peito é a alma que se ageita, não no sexo onde se esvai a fome, fácilmente saldável.

Uma arte não é arte se não nos açoita em cada parte.

E para este pecado demando remédios – ele está assim como que entranhado nas vísceras do meu coração.

Rectificas as metafísicas ao acordeão porque julgas ter a verdade como cliente.

Ao possuir o devir como um deus, rebaixa-se a um nível onde todos os valores, porque intransmutáveis, definham.

Abasteço-me da ironia que reaviva a ira e que se sublima na adversidade a qualquer conversão.