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::::::::::::::::::::Pedro Proença::::
O IRRECONHECÍVEL
Soneto IX
 

Na embaixada macia do amor o eu e o tu estão também connosco.

Há quem desperdice a vida, eu tenho desperdiçado a morte. Não sei com que adjectivos...

Oprimidos com comprimidos para a melancolia?

A vida recurva-se, ignorando os circulos e as rectas. É assaltada de mensageiros rápidos ou infortunados retornados.

Pedes a justa saúde como uma esmola. A quem?

Alegria de estarrecer... mas então o contentamento torna-se mais ascético, como se quizesse alongar seus músculos...

O que imita emite… Teme a teima do ermita.

No coração lilás amadurecem verdes sentimentos.

O que mantém a maioria dos matrimónios são as insuportáveis contendas? Pffff!...

Como dividir, caso haja outros, a conquista da tua visão (no mínimo sublime!)? – o olhar de fera, a vista que não retrata mas arrebata.

Coíbe o coração com um chicote. Arrebata iguarias que arrebanham a alma e barram o coração. Compacta rispidez?

O olho subestima a liberdade com o seu séquito de ironias.

É com mentiras cristalinas que se pintam as explosivas sinas.

O tribunal do céu é demasiado rudimentar para ser réu de crimes a que a paixão incitou.

 

 

 

 


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