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::::::::::::::::::::Pedro Proença::::
O IRRECONHECÍVEL
Soneto IV
 

É a curva do golfinho que te incita a reconsiderar a irreconhecibilidade do idêntico.

Sejas tu a enésima Musa, como a década que torna imperceptíveis as novidades que as nove Musas nos oferecem de uma só vez.

Tornara-se subitamente um advogado de ritmos dessincrones.

O destino é indissociável de geometrias demasiado simples. Mas falta acreditar no destino como numa rima pobre.

A maior parte das geometrias, por mais eternas que sejam, já estão fora dos prazos.

Sentia que a pele da sua amada tinha algo atraentemente viscoso quanto o sangue de uma lampreia.

Amas o florilégio, mas repugna-te o elogio.

As adversas maneiras, cultivadas contra a nossa propensão, acabam por se tornar o melhor que temos.

Tenho lata porque não a tenho onde a devia ter.

Mergulhar no anonimato por repugnância à adulação.

O verdadeiro amor não pode ser único. Mas também não pode ser geral. Mas quer o amor singular, quer o amor geral, podem perludiar, como exercicios preparatórios, esse tal amor que tem sabor a absoluto.

A separação é uma ilusão a que me posso intermitentemente entregar.

As dádivas são como as tortilhas – compostas e remexidas.

As tormentas rodeiam-se de factos para provar algo, mas costumam ser o estigma que leva à reprovação.

 

 

 

 


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