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Pedro Proença......

DO AMOR E MUITO MAIS OU O ASSENHORAMENTO DOS SONETOS SEGUNDO SONIANTONIA & SANDRALEXANDRA : INDEX

RUMBA CHAMPANHESA

E a mim virá, e me beijará com champanhosos beijos em nada servis – e viveremos em insones arredores como corças corsárias...

A rima macaqueia a pobreza de ser o eco forçado de palavras tão ordeiras e tribais – é certo que a tirania dos versos possibilita achados pitorescos, mas não nos livra da maçada de inuteis palavras que se acocoram no extremo de cada linha. Por isso a prosa respira com uma porosidade granitica que falta ao polimento do verso.

Foram-se as eras dos monumentos, com seus pesados e funestos metais e túmulos onde reposam herois e tiranos (distingui-los hoje é insensatez) – não que goste de eras incorpóreas, mas deleito-me nesta ligeireza, por vezes àcida, em que nos é perviligiadamente dado viver.

Os clavicórdios aterraram nos meus tormentos. E eu senti-me titubeante, com um hálito a precisar de ser carregado por correntes elétricas e musicas que sacudam popisticamente o ventre.

A iniquidade é incontornável prova de uma imperfeição dos pormenores do mundo – os deuses podem estar barbaramente ou monoteisticamente nas generalidades, com ardores apofáticos ou arrumados universais, mas o pormenor clama por mais e mais justiça.

Há palavras que se deitam connosco por curiosidade delas e que acordam pouco donzelas porque estiveram em experientes mãos.

É na variação que repouso – não que queira manchar a pureza dos amores com hipócritas traições, mas a natureza, e a consciencia que enxutamente exala, pede tudo menos a uniformidade onde fascismos sempre afectivos arborescem.

Há uma pré-posteridade a que somos chamados como a algo adverso: polimentos classicistas, condutas ditas exemplares. Mas a minha arte em que imperfeitamente me esgrimo gosta de máculas, de gostos mal-assumidos, de vacilações, e até de algum grotesco – gostos romanticos? Sim! Mas nada de macaquinhos pitorescos.

O universo estende-se parcialmente para cada um dos seus cantinhos – a sua vastidão é demasiada para os nossos tamanhos e para os saltos com que trilhamos os seus caminhos. Mas esta dimensão é tão encantadora e canora!

Não sei dançar condignamente a rumba, mas sei insaciar-me nos arrotos pirateados do rum.

Sítios do Autor

http://www.sandraysonia.blogspot.com/ 
http://juliorato.blogspot.com/ 
http://www.pierredelalande.blogspot.com/
http://www.tantricgangster.blogspot.com/
http://www.budonga.blogspot.com/
http://www.renatoornato.blogspot.com/
PEDRO PROENÇA. Nascido por Angola (Lubango) pouco depois de rebentar a guerra (1962), veio para Lisboa em meados do ano seguinte, isso não impedindo porém que posteriormente jornalistas lhe tenham descoberto «nostalgias» de Áfricas. Fez-se rapaz e homem por Lisboa, meteu-se nas artes e tem andado em galantes exposições um pouco por todo o mundo, com incidência particular no que lhe é mais próximo. O verdadeiro curriculum oficial mostra muita coisa acumulada com alguma glória e devota palha. Tem ilustrado livros para criancinhas e não só, não porque lhe tenha dado ganas para isso, mas porque amigos editores lhe imploraram. Também publicou uma estória entre as muitas de sua lavra (THE GREAT TANTRIC GANGSTER, Fenda, em edição que, por estranhos motivos, foi retirada de circulação), um livro muito experimental de ensaios (A ARTE AO MICROSCÓPIO, também da Fenda) e um grosso livro de poemas comentados com imagens (O HOMEM BATATA, editado pelo Parque das Nações). Compõe, mediocramente, musica no seu computador, e é um yogui quase consumado.

Pedro Proença. Born Lubango, Angola, 1962. With an exhibition in the Roma e Pavia Gallery in Oporto, at the end of the 80's he begins, a cycle of installations which have continued until today, and make up a work in progress. These works, which use such poor materials as indian ink drawings on paper, are structured according to previous architectures or constructions which emphasise the multiplication of the dynamic planes of framing. In this decade he has exhibited paintings which complement these installations, aiming at serialising the "plurality of the subject", and permanently responding to questions in the artistic field (current ones or uncurrent ones), to which he cannot remain passive. As it is known that he is also engaged in a literary activity which is beginning to be published, his works should be seen as a coming-and-going within this controversial space which confronts images with words, either as "allegorical appearances" or as "narrative possibilities".

 

 

 


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