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Pedro Proença......

DO AMOR E MUITO MAIS OU O ASSENHORAMENTO DOS SONETOS SEGUNDO SONIANTONIA & SANDRALEXANDRA : INDEX

ENTRE PARTES

De novo reunidas como que para sempre e lindas de morrer. O amor jorrando a rodos. Não queremos fazer parte das virgens do paraíso islâmico. Os homens têm pelos a mais, mesmo quando rapam os púbicos. A vida sem maquilhagem não é para nós porque o mundo é todo maquilhagem .

Num mundo com tanta gente a tentar dizer que sente ou que pense ou que é qualquer coisa que vai deixar um pequeno rasto antes de morrer e antes que outros queiram dizer de uma forma mais, ou menos, contundente, será que vale a pena andar aí armado em dono de incontornável obra, daquelas que os que vêm atrás reverentemente louvam como exemplo do que deve ser?

Sim? Pois, se fizemos alguma coisa de caracá que ela seja das boas, das que merecem afectos ou que os excitem.

Há senhores que foram exemplares no não deixarem migalhas e gorduras a mais. Mas há neles uma vaidade tão comichosa que nos apetece muitas vezes o contrário mesmo - a vida sem limas, excepto se forem para limar as unhas. E por causa disso, mesmo continuando a ser portuguesas, preferimos não habitar nas nossas casinhas pardas, deixando de ser integralmente tugas, sem caír na sanha novo-riquenha. Inventamos um destino mais africanista - há que habitar as ferozes casas leopardas.

Somos generosas ou egoistas? Egoisticamente generosas! Somos infieis connosco e os outros ou fieis aos nossos caprichos? Caprichosamente fidelissimas. Não estamos feitas a nenhum bife (moral) passado ou mal-passado. Não anseamos patinar no ringue das perversões sucessivas - a nossa poligamia é mental e plurissexual, mas com calma, naturalidade e sem estereotipos. Se nos apetece é porque apetece, porque temos tempo para isso, porque nos dá vontade de passear pelo que há por aí. E o depois gostamos de estar uma com a outra COMO DUAS VENUSIANAS MASCARADAS DE TERRÁQUEAS.

O dever do «real» (do que julgamos que acontece através das nossas possiveis interpretações) é subtrair-se aos nossos anseios mais óbvios. O que aparenta do que acontece é não só eliptico, como ecliptíco. E há o que fica de fora, o extase prometido: o ek-liptico.

Tudo o que é rocaille pede sempre um pouco mais efevrescência e consciência libertina, mesmo que não caia nas saias e saiotes do sexo mais visível.

Mesmo que as rosas não sejam «rosas» e muito menos «rosas», as autobiografias das Gertrudes são as nossas autobiografias mesmo antes que existiramos e nos desse vontade de andar aos pulinhos numa rave party. O que temos para dizer já foi dito com uma simplicidade desarmante e numa perfeição deveras natural. O que temos para dizer não é muito bem uma coisa que tenhamos exactamente para dizer. Apetece-nos conversar. Sobretudo mesmo antes de adormecer.

Dissimular o passado é distorcer o presente para sempre. Mas a experiencia do disfarce é também uma autopunição. A inocência nunca é inocência mas é fruto da tirania das circunstâncias. São as circunstâncias que nos condenam antes do puré ético fazer das suas, mesmo com o melhor molho filosófico. As escolhas que fazemos são quase sempre erradas .

Gostamos de coisas que se degradam. Somos ambas bio-degradáveis e é por isso que somos agradáveis.

Sítios do Autor

http://www.sandraysonia.blogspot.com/ 
http://juliorato.blogspot.com/ 
http://www.pierredelalande.blogspot.com/
http://www.tantricgangster.blogspot.com/
http://www.budonga.blogspot.com/
http://www.renatoornato.blogspot.com/
PEDRO PROENÇA. Nascido por Angola (Lubango) pouco depois de rebentar a guerra (1962), veio para Lisboa em meados do ano seguinte, isso não impedindo porém que posteriormente jornalistas lhe tenham descoberto «nostalgias» de Áfricas. Fez-se rapaz e homem por Lisboa, meteu-se nas artes e tem andado em galantes exposições um pouco por todo o mundo, com incidência particular no que lhe é mais próximo. O verdadeiro curriculum oficial mostra muita coisa acumulada com alguma glória e devota palha. Tem ilustrado livros para criancinhas e não só, não porque lhe tenha dado ganas para isso, mas porque amigos editores lhe imploraram. Também publicou uma estória entre as muitas de sua lavra (THE GREAT TANTRIC GANGSTER, Fenda, em edição que, por estranhos motivos, foi retirada de circulação), um livro muito experimental de ensaios (A ARTE AO MICROSCÓPIO, também da Fenda) e um grosso livro de poemas comentados com imagens (O HOMEM BATATA, editado pelo Parque das Nações). Compõe, mediocramente, musica no seu computador, e é um yogui quase consumado.

Pedro Proença. Born Lubango, Angola, 1962. With an exhibition in the Roma e Pavia Gallery in Oporto, at the end of the 80's he begins, a cycle of installations which have continued until today, and make up a work in progress. These works, which use such poor materials as indian ink drawings on paper, are structured according to previous architectures or constructions which emphasise the multiplication of the dynamic planes of framing. In this decade he has exhibited paintings which complement these installations, aiming at serialising the "plurality of the subject", and permanently responding to questions in the artistic field (current ones or uncurrent ones), to which he cannot remain passive. As it is known that he is also engaged in a literary activity which is beginning to be published, his works should be seen as a coming-and-going within this controversial space which confronts images with words, either as "allegorical appearances" or as "narrative possibilities".

 

 

 


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