Dakinis. Uma palavra tão pequenina para um ser tão poderoso. Um dakini, de acordo com os tibetanos, é um ser de Luz, conhecido no mundo ocidental por Anjo da Guarda/ Ser Angélico.
Eu acredito em dakinis e nas suas manifestações. A melhor forma que tenho de descrever como imagino as manifestações físicas destes seres de luz é a seguinte: Num concerto do Peter Gabriel, em Modena, numa das músicas, no inicio da música, UM ESTÁDIO INTEIRO começou espontaneamente a acender e apagar os isqueiros ritmadamente e em perfeita sincronicidade com os movimentos dos músicos em palco e com o ritmo e acordes da música em questão. O resultado não podia ser mais perfeito: um estádio com milhares de luzes a acenderem e apagarem ao mesmo tempo. Luz, Sincronicidade, Dakinis.
Foi, ao ler o “Segredo de Shambala”, nas últimas férias, que o “conceito-dakini” me tocou realmente. Aparentemente, os dakinis podem ser invocados por qualquer pessoa. Mas são poucos os que os podem ver, ou querem ver ou assumem que viram ou percebem que foi um dakini que viram. Porque é preciso termos todos um dakini dentro de nós, sermos uns dakinis uns para outros e termos consciência de que quando ajudamos alguém, essa ajuda é incondicional e sempre sem prejudicar terceiros. A partir daí é fácil compreender os dakinis, porque nós humanos, temos comportamentos “dakinianos” ( quando queremos, bem entendido). E dos DAKINIS que existem dentro de nós, é um passo até à palavra RESPONSABILIDADE.
A responsabilidade é geralmente associada a um grande fardo que todos suportamos.
É associada à responsabilidade no trabalho, para com a família, responsabilidade cívica, fiscal, enfim, a responsabilidade nos dias que correm é sinónimo de grande seca e problemas, problemas, problemas.
Só que a responsabilidade de que falo é a “responsabilidade fotossíntese ”.O que quer dizer, que segundo a minha teoria, somos nós que precisamos da responsabilidade da mesma forma que as plantinhas precisam do sol. A responsabilidade que temos de nos sentirmos bem acima de tudo, de sermos felizes, de encontrarmos o nosso caminho, de encontrarmos um caminho que faça verdadeiramente sentido nas nossas cabeças e coraçõezinhos, para então DEPOIS, podermos ter a responsabilidade de fazermos os outros felizes com as nossas acções, gestos, palavras, etc, etc....
Por isso a responsabilidade devia ser como um músculo, um coração, um osso, um alicerce duma estrutura de um prédio, um espinho de uma rosa e umas riscas das passagens de peões...
Da responsabilidade, vem a responsabilidade da escolha.
A escolha daqueles que nos rodeiam, que constituem a nossa Família Kármica.
A nossa família kármica são os nossos amigos, a nossa família , os nossos vizinhos, os nossos colegas de trabalho e até os nossos inimigos.
É verdade, sim. Somos mesmo todos uma família, por mais que nos custe a aceitar.
Mas o intuito mesmo é falar da falar “boa” família kármica. Aqueles que escolhemos de livre e espontânea vontade e muita consciência e com a responsabilidade de sabermos que estamos a convidar alguns a entrarem no comboio da nossa vida connosco.
Na minha família kármica existem animais de estimação que não comprei, estrangeiros que nada são de estranho/estrangeiro na minha vida, amigos que já foram inimigos, pais adoptados, mães que não são mães mas que são tão mães quanto as mães, irmãs que não cheguei a ter, irmãos que queria ter tido, namorados ideais com os quais não namoro, colegas que se tornaram amigos, amigos que se tornaram colegas enfim, tanta e tão boa gente.
E na vossa?
Ana Anes
17.07.03.