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VINÍCIUS DE MORAES
TARDE EM ITAPOAN

Um velho calção de banho
O dia pra vadiar
O mar que não tem tamanho
E um arco-íris no ar
Depois na Praça Caymmi
Sentir preguiça no corpo
E numa esteira de vime
Beber uma água de coco
É bom
Passar uma tarde em Itapoan
Ao sol que arde em Itapoan
Ouvindo o mar de Itapoan
Falar de amor em Itapoan

Enquanto o mar inaugura
Um verde novinho em folha
Argumentar com doçura
Com uma cachaça de rolha
E com o olhar esquecido
No encontro do céu e mar
Bem devagar ir sentindo
A terra toda a rodar.
Depois sentir o arrepio
Do vento que a noite traz
E o diz-que-diz-que macio
Que brota nos coqueirais
E nos espaços serenos
Sem ontem nem amanhã
Dormir nos braços morenos
Da lua de Itapoan

 

 

 




 



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