RUY VENTURA
HABITAÇÃO DO TEMPO
segredo
 

que torre espreita nesse lume que não vejo?
sem regra, o alicerce silencia o veneno –
horas e horas sem fogo. séculos e séculos
sem força para descobrir a morte
no campo que hoje não vigia.

torre – ou apenas a legenda do tempo?
verbo segurando o devir e a sombra – desta terra?

jamais subirei essa escada. escavaram o alicerce.
encheram-no de flores, de folhas mortas,
de entulho – vozes e raios de sol sobre o lado esquerdo
e um mastro com (h)eras e flamas
silvando a alegria.

torre e castelo que não vejo. facho que oiço
sem palavras, a crepitar sobre o bosque,
iluminando vestígios que não encontro.

a fonte alumia. a efígie obscurece –
mesmo escondida sob os ramos.

sobre a rocha, a memória permanece.
assim. em segredo. como a cal –
segurando essa palavra.

 

Carreiras –
sítio do Castelo

 

 




 



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