RUY VENTURA
HABITAÇÃO DO TEMPO
nudez
 

nem ouro, nem prata.
árvore verde.
nu, esse teu corpo breve,
livre de sombras –
como no dia do baptismo.
ainda sem nome.
sem voz ainda –
e uma voz presente.
sem tempo,
propondo outro tempo
sem presente.

teu filho,
maior do que um rosto
quase escondido.
teu colo,
acolhendo o mundo inteiro –
o peso, a leveza,
a obscuridade, o brilho
da montanha.

não encontro negrume
nessa face.
somente a negra luz
do sal da terra,
no forno que aquece o coração.

fria, apenas a manhã
em que partimos –
o cume da manhã
sobre a nascente.

nem ouro. nem prata.
a cor e o calor da madeira.
os pigmentos dessa alma
hoje encobertos –

abertos neste livro
e neste lume.

 

 

 




 



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