RUY VENTURA
HABITAÇÃO DO TEMPO
fortaleza
 

que fortaleza guarda a altura desta torre?

por entre as grades, ao longe,
o teu olhar vislumbra outro coração.
sem cor, sem sombra, sem sopro
de vento desalinhando os cabelos.

entre casas e árvores
desenharam rostos e palavras,
com ouro,
mas sem oiro –
silvando por dentro, na distância
entre o entulho e a memória.

uma fenda recorda-nos ruínas –
há tanto tempo sem água.
e no largo vão
por onde mal passa essa imagem
a chuva aquece a luz
desses olhos que não podemos ver –

acolhendo sob o arco a lonjura
e a respiração da carne.

Trujillo –
torre-mirante das Jerónimas (sécs. XIV-XV)

 

 




 



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