ROSANE FREIRE...
Poemas
Palavras deitadas

Não preciso lanterna
Para
Fazer
Essa  

Vi 

      A    

          Ge    

                  m  

      No 

A

  B

     I

       S

         M

            O

Partirei   de olhos  fechados  tateando a  treva  Conheço     de  cor   esse caminho Antes de partir  farei  uma ladainha Lavarei  a  cabeça  o  corpo  e a alma Levarei comigo um cantil  de água Há certa  altura  precisarei  de bússola  Para  apontar o  norte  do  seu inferno pedirei a Oxossi que abra caminhos    Qual a fogueira é a das suas tormentas  A São Jorge pedirei espada  Quando encontrá-lo apagarei seu fogo E te  darei a  água   para matar a sede Deitarei sua cabeça no meu ombro esquerdo Pegaremos a rua direita de um vilarejo qualquer Deitá-lo hei num catre e cuidarei

 

uma      

      a uma  

                         tuas  

                                   Fe                            R i                                        D a S.

Plástico bolha

Em qual esquina da travessia

Abandonou sua límpida e

Sublime e clara nudez?

Em qual rio, lagoa ou charco

Banhou-se em tintas, cobriu-se?

Vives absorto e ensimesmado.

Autista nos seus pensamentos.

Preso a um mundo idílico,

Numa posição fetal, num

Narcisismo a céu aberto!

 

De qualquer modo e apesar

De tudo há em seus olhos

Uma fagulha acessa avermelhada

A condenar-te a viver!

Pedes silenciosamente á vida

Alguém para lhe socorrer!

Não vês? Espero somente um sinal teu!

A um só sinal desbravarei suas matas,

E estourarei uma a uma as bolhas do

Plástico que te envolve o corpo.

As dez cores do arco-íris (Herança)

Cal virgem, casa limpa.

Adolescente óvulo ruborizado,

Ávido de cores. Esperança colorida

De beijos gozosos espermatozóides.

 

Liquido sêmen, célula placentária. Tintas  

Penetram nas paredes do útero, pigmentos.

Vermelhos patagônios, marroquinos alaranjados.

Misturadas raças, miscigenação, arco-íris de dez cores.

 

Relva verde, viço, verdoenga alegre, margaridas,

Vegetação de plantas – primogênita cor – Jardineira!

 

Violeta flor aromática, ondas médias, leve fragrância.

Lilás light, pálida brisa fresca. Capim meloso.

 

Rosáceo vitral, cor de rosa, roseira original

Simbólica aura ornamental. Rosa choque.

 

Amor ao próximo, carne branca coberta de tinta. Lágrimas correm por

Suas paredes brancas. – O mundo deveria ser branco! Copo de leite

 

Pássaro preto, relincho cósmico, ovelha negra. Devaneios.

Buraco negro, eco enraizado e profundo. Gérbera alaranjada.

 

Cinza onipotente, tremeluzente entre prata e alumínio. Amor e tirania

Egoísmo e caridade. Mantendo asas presas. Ensimesmado jasmim.

 

Amarelo ouro, contrafeito açafrão constrangido.

Frescor sem coragem. Ele, ela, elo tinge! Papoula.

 

Índio vermelho tupi guarani, sangue, palma vermelha coragem.

O pulso pulsa. Comunitária pele vermelha. Vida Madeixa.

 

Azul, mistura primária de verde e violeta. Azulão

Fêmea canora, cor do céu nos dias claros. Girassol.

 

Castanha de caju, casadas castanholas batendo-se. Orquídea marrom

Tirante. Cabelos acastanhados tecendo jardins de pedras e leis.

Oráculo
Ora rio
Ora lama
Ora mãe
Ora filha
Ora solida-pedra
Ora liquida-água
Ora inferno
Ora céu
Ora boa
Ora má
Ora santa
Ora puta
Ora asa
Ora pata
 Ora impar
 Ora par
Ora crente
Ora cética
  Ora mulher
 Orapronobis
Decanter

Deitou sua cabeça em meu colo

E permitiu que calçasse em meus

Dedos as doiradas luvas de seus cabelos.

Massageando seu couro cabeludo senti

Um forte cheiro de óleo de ervas. No nariz

Uma expressão de pimenta preta e frutas

Vermelhas. Na boca agradáveis e potentes

Taninos. Sorvi pequenos goles de uvas

Cabernet Sauvignon . Mergulhei nas

Águas profundas de uma piscina arrastando-o

Comigo pelos cabelos amarelos e fortes á Sansão.

Na vitrola, consonantes e encantadoras castanholas

Timbram as mesmas notas de quando te conheci.

La plume, gineceu e pólen embrenham-se. Aérea

Fumaça de tabacos de canela invade o quarto.

Creio

Creio num mundo desumanizado.

Creio nas bocas banguelas.

Creio nas manchas de pele.

Creio no sangue pisado no rosto.

Creio que existam comadres sujas de bosta,

Nos banheiros públicos hospitalares.

 

 

Creio que isso seja uma tela triste,

Um filme de mau gosto,

Dirigido por homens de mau gosto.

 

 

Creio na ingenuidade dos atores coadjuvantes.

Creio na tristeza e na impotência

De telespectadores desalienados.

Creio nos desesperados.

Creio no que esta aí.

Creio na subvivência.

E nos insistententes,

      TAMBÉM!

Rubra

ArqueadA no caminho, recolho corcova,

Nítidas imagens de lascas de pedras.

Arqueóloga de mim mesma: - CA-VOU-CO.

Faço profundas e solitárias escavações.

                                            mi

Piso um solo silencioso e ra    fi

                                             Ca

                                                  do.

Veios sob meus pés. Inquietas veias.

Pés descalços fazem a travessia de uma Ca

Sobre incandescentes brasas acessas.          Ver  

Carvão que arde em chamas nas valas.   Na

Pés nus sem disfarces. Nudez outonal sem

Rodeios transita cabisbaixa pelo

Corpo da minha rua tímida.

Pés que caminham por uma trilha tortuosa

Solo colorificado e suado e ruborizado,

Pelo mesmo ruge vermelho tinto que colore

E escorre pelas maçãs febris do meu rosto.

Rosane de Moura Freire, 1959, Belo horizonte/MG, poeta, performer, graduada em letras pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UNI-BH). Tem poemas publicados na Antologia de Ouro museu Nacional da Poesia (MUNAP), no Jornal do Diretório Central dos Estudantes do UNI-BH e no jornal da Fundação Hospitalar de Minas Gerais (FHEMIG). E-mail: rosanemoura11@yahoo.com.br. Facebook: Rosane Freire

 

 
 

 

 




 



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