Pedro Nobre
Reflexos

INCÊNDIOS

Na minha sala

Sento-mo no sofá do costume

Na rua, está um calor abrasador

Ligo a televisão

Faço um zapping

Paro num canal de notícias

Que caótico que o meu país está

Pessoas a correr, a gritar

Temperaturas altas

Uma vida desaparecendo sob os seus olhos

O seu sustento

O seu gado

O sol de verão

Encoberto, parecendo que irá chover

O diabo desceu à terra

Homens de Deus acorrem ao que podem

Fazendo frente contra o inimigo

Mas é impossível

Ele é mais forte que eles

O meu e nosso país

Que outros classificam de bonito

Com bastante luz solar

Está a tornar-se negro e cinzento

Todos os anos o mesmo inferno

Qualquer dia não temos ar puro

Alguém tem de tomar medidas

Os governantes estão de férias

A água não abunda

Seca extrema

Será que estamos perto do fim do mundo?

Por este andamento deve estar perto

Mais uma vez a culpa é do Homem

Ou pagos para o fazerem

Ou por um descuido

Ou por falta de limpeza

Ou por sermos pouco civilizados

Mente antiquada a nossa

Quando vou a conduzir

Por essas estradas fora

Observo as matas

Só lixo avisto

Papéis, garrafas, latas, cadeiras…

Objectos não identificados voam pela janela

Às vezes sinto-me triste por ser português

Só impondo regras e coimas

É que abram os olhos

Não têm brio pessoal

Depois vêm chorar para a tv

Que tudo está a arder.

Que já não sabem o que fazer.

A reestruturação tem de começar por baixo

E não por cima.

Tal como uma casa…

Assim deveria ser o nosso país…

 

 




 



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