NATÁLIA CORREIA
Até ao fim do mundo

Era pedra e sobre essa pedra

Ergueu-se o templo do amor atroz.

Ele de fogo, ela a cordeira

Toda cordura chamando o algoz.

 

Sangram as tubas: Inês é morta!

Em meigo mito transmuta-a o pranto

Do ermo amante que erra sozinho

No seu deserto de diamante.

 

Nem ar sangrento buscam seus olhos

Do corpo amado desfeitas pérolas;

E como fera coro os ossos

Da formosura que ao alto o espera

 

E em desatino da paixão lusa,

Perdida a alma que em Inês tinha,

O fim do mundo ficou esperando

Aos pés da morta, sua rainha.

 
 

 




 



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