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MARIA GOMES..
por detrás do espelho

só o vento sopra por detrás do espelho, o trevo
subindo rubro sobre a folha.
no ardor de um beijo, perdoa-me.
vejo o coração das magnólias, atravesso
uma espada amargurada num suicídio de silêncio.
nas minhas mãos,
o deserto tímido intimo surge do tempo
ante a glória de vermos o sol
morrendo no abraço.
dilacero os dedos,
digo adeus à cúmplice ventura de florir.
perdoa-me. ser poeta é ter a carne
na cicatriz da imagem. sentir os olhos a escorrer
na boca. morrer em cada página.

o amor simples

vou escrever um nome antiquíssimo na lua convergente
na loucura fugaz em que tropeço.
deve ser o nome de deus que vem de dentro.
o amor simples que teço a equação de um cardo
que me abraça
pela areia lisa. um nome sem camisa.
que sangra extenso no que não acredito.
é mais do que o teu rosto. ou de que o meu próprio grito.

o tempo dos barcos

enquanto bordas o tempo dos barcos
constróis a casa com a luz pequena.
nos sonos longos, és tu que anoiteces.
colhes a curva de um rosto,
com clareza
teces a alma vã da firmeza
nos colos finos, na lâmina dos rios.
ó doce pescador, madrugada que fosse
a foice dos meus poemas,
dá-me os pássaros alinhados
as minhas penas.
ó cegas torres de marfim,
na excentricidade vagabunda da fadiga
começa o meu fim.

 




 



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