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MARIA GOMES..
e a erosão

não posso dizer dos olhos, assim,
contidos nesta manhã inacabada.
há gritos negros e a erosão
branca, nos corpos, abre a luz
cheia de sede.
não fosse esse pedido de palavras,
eu escreveria o poema da paz
que anseia os meus sentidos.
porém, é tarde.
nunca disse que habito uma cidade.
as minhas mãos movem-me.
como ninguém, toco o perfil
melancólico e doce do fim da minha vida.

a súbita seara
urge dizer que, hoje, os mares negaram a grandeza da flauta azul
que eu inventei para ti
houve, num incêndio anexo à palavra,
um poema impossível
de ternura loura, muito loura, a súbita seara da loucura.
árvores em ferida

quando caem folhas, eu chamo por ti, mãe;
morrem pássaros nas palavras que falamos.
pelas janelas,
os ventos suicidas rebentam as paredes, os anos.
daqui a milhões de nada,
a extrema unção está próxima da vida.
quando caem folhas, mãe, as árvores ficam feridas.

 




 



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