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LUÍS SERRANO
A truta
À Maria de Lurdes
e ao Fernando Guimarães

Por espessas capas
de cinza e névoa
sobe a truta

bicho
de águas soltas
que a pedra filtra

sobre os flancos

sobre os alcantis
de Roncesvals

De Rolando
restam os sinos da memória

um tapete de neve
e urze
entre abetos

se as teclas do piano
se ouvem ainda
sob a luz coada
do regresso

se a mão de Schubert
procura apenas
um sinal do céu

nesta atmosfera depurada
onde perpassam
ovelhas

atentos os cães
se o redil está longe

e os chocalhos
se perdem no ar

nas dobras involuntárias
da água
e da escrita

 
in As Casas Pressentidas, 1999
 

 




 

 



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