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LUÍS SERRANO
Montanhas

As montanhas crescem
partem às vezes
na água do peito

só o frio
as trespassa
lentamente

se a neve
e o silêncio
as envolvem
de uma casta
e súbita
serenidade

Às vezes regressam
carregadas
de estrelas
às vezes partem
às vezes ficam

e é a memória
que vai tecendo
um registo
de contornos
mais lúcidos
e vivos

como arestas
ou asas perdidas
de luminosas
aves

 
in Entre Sono e Abandono, 1990
 

 




 

 



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