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LUÍS SERRANO
Loriga ou a serra revisitada

Socalcos
onde a terra estremece
em neve e solidão

pastores hibernam
dissolvem-se num silêncio
de águas mansas

ou entram pelo tempo
carregados de coalho
e odores antigos
com seus cães desatados
suas flautas

casas enlouquecem
devoradas pela brancura
e pelo frio

o equilíbrio penso
está nestas árvores
repartidas entre as colinas
e a memória ácida
dos glaciares.

in Poemas do Tempo Incerto, Vértice, 1983

Tem de haver um tempo

Tem de haver um tempo
para a vida e para a morte
tem de haver um espaço
onde concentrar
as lágrimas e o riso

um abismo
onde as árvores
cresçam em esquecimento
e claridade

uma porta rarefeita
por onde escoar
o que resta da solidão

 
in Poemas do Tempo Incerto, Vértice, 1983
 

 




 

 



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