À filha de cada 11 de setembro

E teu nome — irina —

verde azul de hialina

transparência,

que nem é mistura

que se ensina,

alquimia de que se conhece

a exacta ciência —

 

apenas esse riso de menina,

semovente correnteza,

água pura da mina

que lava as angústias

do pai rezinga.

 

Pomba de alvura

que ao tiro da matina adeja,

céu de boa sina seja a estrela

que te ilumina, tu mesma

primavera alevantada no fluxo

em que toda a vida se anima.

 

E vai e deixa sobre a terra

o lume de ser lava; e tenhas

sombra e paz ao calor do dia a pino,

ou nos nevoeiros em que por vezes

a tarde finda.

 

E a mão da honra te seja

cajado na subida, e ainda que pela

selva do mundo deambulando,

como grão catado na algibeira

a alegria tenhas por medida,

que o que o arrojo furta à sina

é sal de toda a humana aventura.

 

 

JOSÉ LUIZ TAVARES

 

 
José Luís Tavares .Nasceu a 10 de Junho de 1967, no lugar de Chão Bom, concelho do Tarrafal, ilha de Santiago, Cabo Verde. Estudou literatura e filosofia. Tem colaboração em jornais e revistas de Cabo Verde, Portugal e Brasil. Pelo seu primeiro livro publicado, "Paraíso Apagado por um Trovão", recebeu o Prémio Mário António de Poesia 2004, atribuído pela Fundação Calouste Gulbenkian à melhor obra de autor africano de língua portuguesa e de Timor-Leste publicada no triénio 2001-2003.
 

 




 



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