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JORGE DE SENA...
Anos sem fim, à luz do mar aceso

Anos sem fim, à luz do mar aceso,

te vi nudez quase total, tão grácll

figura juvenil, ambígua e fácil,

e ao longe às vezes totalmente nua

em só relance de malícia crua.

Tudo isso me atraía e me afastava,

embora a vista retornando escrava,

a teus lugares me tivesse preso.

E quase sempre então tua figura,

sentada estátua, ou falsa sesta impura,

lá era, ao sol, o tempo congelado.

Hoje, subitamente, tu não viste

ninguém senão o meu olhar quebrado,

e com lenta inocência te despiste.

Mas quantas rugas no sorriso ansiado!

24/2/1965

 
Jorge de Sena
Poesia III
Edições 70, Lisboa, 1989
   

 

 

 


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