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JOÃO RASTEIRO

SOB AS ÁRVORES

O poema contínuo II
Ao Herberto Helder

O poema como hálito absoluto

um cavalo decapitado de luz

sob uma traqueia transparente frágil.

Como uma palavra sagrada

o poema impõe um pulmão de bronze

falsifica o eco em dádiva.

Na minúcia adornada da cegueira

o silêncio que precede o começo

sarou sobre as folhas mortas.

No poema a pulsação irreparável

sob a matriz concentrada no fôlego

a contorção benévola das vozes.

A palavra é lisa no desejo inclinado

martelada por fluxos e refluxos

artesoando círculos abertos de cio.

O poema como animal adormecido

as veias da garganta rasgando a boca

a ira escorrendo nas virilhas da luz.

 

O poema como ofício puro silêncio lugar.

 
 

 



 



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