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::::::::::::JOÃO RASTEIRO
Tríptico da Criação

INDEX
Do extermínio II
O território dos anjos

Elegia do esquecimento

Do extermínio II

À entrada de um túnel está um homem
com uma bandeira. É para a cobra que
ele acena, respondendo a um sinal.
Jaime Rocha
 

É das palavras

que irradia a morte soberana

os lugares sitiados, a blasfémia do silêncio.

Todos morrem nas palavras disponíveis

apenas os corvos tristes

a quem soldaram o bico com prata

suspendem a morte

no branco das túnicas da água visível.

É nesse espaço

onde antes iam os homens sedentos

alimentar a fractura das vísceras

comendo de rastos com as cobras

que a chuva cai geométrica

estilhaçando o alastro das gargantas

que guardam as sílabas com aroma de tílias.

O homem está morto dentro do poema

como a linguagem das antigas escrituras

e é o seu corpo que brilha através do branco.

As cobras emergem do chão

abrigam-se nas túnicas álgidas

e aproximam-se do corpo do homem exposto

iluminadas em sua própria loucura.

Engolem os restos da carne corrompida – mas,

inexplicavelmente poupam-lhe os olhos -, depois,

saboreiam o que lhes vai consumir

para sempre a língua, o coração das entranhas.

 

O segredo absoluto e divino do extermínio do verbo.

 

João Rasteiro
2007

 

 



 



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