JOÃO GARÇÃO

De “OS VERSOS DO ZÉ POVÃO”

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A Raul Proença

MURALHA

Ai flores, ai flores da cor perdida

Dizei-me se sabedes novas da nossa vida

 

Ai flores, ai flores da nossa Idade

Dizei-me se sabedes novas da liberdade

 

Ai flores, ai flores da inocência

Dizei-me se sabedes novas da sonolência

 

A sonolência que me há gerado

O espanto em que estou mergulhado

 

E a outra verdade que é só enguiço

Sem carne e sangue para o chouriço

 

E a cor perdida que perdida é

Da triste vida cá para o Zé

 

Há tanta névoa, tudo confuso

Por isso, flores, perdeis o uso

 

E sois apenas, por nosso mal

Notícia triste no Telejornal

 

Ai flores, florzinhas, ai lindas flores

Sede de novo plantas às cores

Que o coração me dá um tranco

De vos ver todas de preto e branco.

 
 

 




 



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