JOÃO GARÇÃO
Hieronymus Bosch: o pintor, o profeta, o visionário
Relance sobre um percursor medieval do surrealismo

“Devo confessar que a maioria dessas obras deixa uma
impressão dolorosa em minha mente” – Robert Fry

INDEX

Introdução
NOTAS BIOGRÁFICAS
Vida e influencia
O mundo em que se movimentou Hieronymus Bosch
O VISIONÁRIO INTEGRAL 
A actualidade de Bosch
Mergulho no inconsciente
O sonho e o maravilhoso
O revolucionarismo de Bosch
Uma análise final: a questão do processo criador

Introdução

As opiniões mais diversas e contraditórias têm sido formuladas sobre a obra deste artista, contemporâneo de Leonardo da Vinci, que a historiografia tradicional considera como o último dos góticos.

A cada época corresponde uma determinada escala de valores, dentro da qual são cuidadosamente ordenados os pintores de várias nacionalidades, escala condicionada por maneiras de pensar e sentir. No que toca a Hieronymus Bosch, pode dizer-se que a existência deste pintor era praticamente desconhecida ainda nas primeiras décadas do século Vinte. Só recentemente os historiadores e críticos de arte contemporâneos começaram a debruçar-se mais sistematicamente sobre a sua Obra, passando das simples designações de “pintor que se dedicou à pintura de assuntos estranhos” sobretudo “diabruras” e “infernos”, a análises do significado profundo daquilo que pintou.

Como consequência desta nova atitude, estudos biográficos como os de Charles de Tolnay, Ludwig von Baldass, Friedlander, G.Gluck ou Justi foram decisivos na apreciação das realizações de Bosch, demonstrando que muitas das características formais apresentadas nos seus quadros obedeciam a uma certa finalidade apologética de franca expressão interior.

Do seu muito aturado e proficiente trabalho resultou então uma profunda reviravolta nos conceitos estabelecidos acerca do valor do mestre flamengo e do significado da obra que nos deixou.

 

 




 



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