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MORTE E VIDA SEVERINA
João Cabral de Melo Neto
APARECEM E SE APROXIMAM DA CASA DO
HOMEM VIZINHOS, AMIGOS, DUAS CIGANAS, ETC

—— Todo o céu e a terra
lhe cantam louvor.
Foi por ele que a maré
esta noite não baixou.

—— Foi por ele que a maré
fez parar o seu motor:
a lama ficou coberta
e o mau-cheiro não voou.

—— E a alfazema do sargaço,
ácida, desinfetante,
veio varrer nossas ruas
enviada do mar distante.

—— E a língua seca de esponja
que tem o vento terral
veio enxugar a umidade
do encharcado lamaçal.


—— Todo o céu e a terra
lhe cantam louvor
e cada casa se torna
num mocambo sedutor.

—— Cada casebre se torna
no mocambo modelar
que tanto celebram os
sociólogos do lugar.

—— E a banda de maruins
que toda noite se ouvia
por causa dele, esta noite,
creio que não irradia.

—— E este rio de água, cega,
ou baça, de comer terra,
que jamais espelha o céu,
hoje enfeitou-se de estrelas.

 




 



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