DOMINGOS DA MOTA
Segundo poema de Natal

Pudesse do Natal dizer que é mais

que o corre-corre, que a lufa-lufa,

que a passada célere demais,

que a mole humana que se adensa e arrufa

e satura nos amplos corredores,

nas ruas e nas lojas, nos mercados

(valendo-se da casa de penhores,

como outrora do livro de fiados);

pudesse do Natal dizer que é muito,

muito mais que o bulício que se sente

atraído pelo larvar intuito

da febre consumista, futilmente,

que faz da pretensão de ter e haver

o santo-e-senha contra o próprio ser.

 

Domingos da Mota

 

[inédito]

 

 

 

Domingos da Mota – nasceu a 15 de Dezembro de 1946, em Cedrim, Sever do Vouga. Licenciou-se em Filosofia pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto (como trabalhador-estudante). Trabalhou num laboratório da indústria farmacêutica. Reside em V. N. de Gaia. Publicou o livro, Bolsa de Valores e Outros Poemas, Edição Temas Originais, em 2010. Tem poemas dispersos por colectâneas, revistas, jornais, e em diversos sítios do ciberespaço. Dos seus blogues, actualiza com alguma frequência: http://domingosmota.blogspot.com/.

 

 




 



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