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José do Carmo Francisco.
Poemas de Fortaleza
Poemas ditos em Fortaleza, durante a 8ª Bienal Internacional do Livro do Ceará.
12-22 de Novembro de 2008
O mistério de Fortaleza

Seis flores secas, serenas
Envolvidas em resina
São duas jóias pequenas
No rosto de Carolina

Mistério de Fortaleza
Entre livros e escritores
Leva toda a tua beleza
Vás tu para onde flores

Nesta serena suspensão
Do sorriso frente ao mar
Vejo a porta e a solução
Do mistério a desvendar

Somos o mundo suspenso
Nos sonhos não editados
O que sinto e o que penso
Não cabe nestes quadrados

Nestas quadras de balada
Neste ritmo de romance
Uma vida mais revelada
Não está ao meu alcance

A jóia que está à vista
Nas orelhas em dois lados
É motivo a que insista
Por elementos e dados

Mistério de Fortaleza
Que fica por decifrar
Guarda uma incerteza
No tempo do teu olhar

Que o poema não encerra
Nem há canção que defina
Fica cheiro de mar e terra
Luz do rosto de Carolina

José do Carmo Francisco, Joana Ruas, Nicolau Saião e Rosa Alice Branco no Centro de Convenções de Fortaleza, durante a VIII Bienal Internacional do Livro do Ceará

Balada da Terra da Luz

No Estado do Paraná
Onde riqueza prospera
Alguém deu o alvará
A uma editora severa
Erro crasso cometido
Numa escolar edição
O Piauí foi escondido
No mapa do Maranhão
Todo Nordeste ofendido
Em estranha provocação
Piauí foi desaparecido
No mapa do Maranhão
Desprezo pelo direito
Da natural afirmação
O Piauí foi desfeito
No lugar do Maranhão
Numa falta de respeito
Desastrada construção
O mapa estava mal feito
Tudo era do Maranhão

Por isso esta Bienal
É tão forte afirmação
Duma gente sem igual
Que reclama sua razão
Em corredores povoados
De alegria e de esperança
Nos olhos esbugalhados
De tanta e tanta criança
Poetas, cronistas, editores
E ensaístas mais diversos
Enchiam seus corredores
Com os sonhos dispersos
Bienal do Livro, Ceará
Ponto de encontro, paixão
Sinto que já sou de cá
Do lado do meu coração
Já sinto uma saudade
E tenho uma certeza
Meu coração em metade
Vai ficar em Fortaleza           

José do Carmo Francisco lê os seus poemas. Ao lado: Carlos Emílio Corrêa Lima, escritor cearense, e Edson Cruz, poeta bahiano que vive em São Paulo, editor da revista eletronica "Cronocópio"
Terceiro poema de Fortaleza

Há aqui uma âncora feita de pedra
Tosca maneira de segurar a jangada
Quando o pescador descansa e espera

É uma pequena caixa de madeira
Uma pirâmide frágil mas segura
Que faz as vezes da força do ferro

Entre pedra e água, entre vida e morte
Ostensiva recusa dum destino hostil
O peixe que vem do mar todos os dias

Vejo o museu do Estado nesta jangada
Não preciso de visitar as outras salas
A vida do Ceará está toda nesta pedra

José do Carmo Francisco    

 

 

 

 


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