AURELINO COSTA
Dois poemas

sob delírio

sob delírio a barca

a língua e o calvário

 

deixa que poisem as aves

e amanheça o fermentar das claves

 

as asas apavonam os ventos

 

e as maçãs

açucaram martelos.

à excepção 

estender as mãos

no peito elegíaco da memória

 

debruçar sobre as anémonas

neste dia de tragos húmidos e verdes

 

de sol borracho e intempéries

 

colher hálitos de begónias selvagens

e não morrer

 

há um pathos maior

e coagulador

 

neste fado.

 

In: DOMINGO NO CORPO
Deriva Editores / Porto / 2013

Aurelino Costa' (n. 1956) é um poeta, diseur e advogado português nascido na freguesia de Argivai na Póvoa de Varzim.

Obra:

  • Poesia Solar (1992).
  • Na Raiz do Tempo (2000).
  • Pitões das Júnias – Tões de Aurelino Costa com Anxo Pastor-(2002);
  • Amónio (2003); 2ª edição (bilingue, castelhano-português), tradução de Silvia Zayas, ed. Amalaya, León 2007
  • Na Terra de Genoveva (2005)

aurelinokosta@gmail.com
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