António
CÂNDIDO FRANCO
XXIX - Nela celebro o êxtase da terra

Nela celebro o êxtase da terra
o luminoso nascimento do mundo
da carne a esplêndida Primavera
quando tudo é vida e desejo fundo

Nela celebro a beleza do dia
um rio de seiva e sangue fecundo
Nela celebro da selva a luxúria
quando tudo é sede e prazer jucundo

Ela é um fruto de carne da terra
um canto azul no princípio de tudo
Eu sou apenas a sombra que cerra
o último crepúsculo quedo e mudo

Sem a chamar aos pés ponho de sua casa
de uma palavra o silêncio em brasa






António Cândido Franco
Estâncias Reunidas
1977-2002
Edições Quasi
2002, Lisboa

 

 




 



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