Paulo Brito e Abreu.........
Poesia, génio e loucura: as aproximações
«O que é uma mentira? Não é senão a verdade
duma mascarada.» Lord Byron
 
Ao Professor Doutor Carlos Amaral Dias
«O mundo é a minha representação». E segura, e certamente, Schopenhauer o sabia: o sonho é uma pequena loucura, e a loucura, um grande sonho. Ou como quem aduz, e como quem diz: a loucura, afinal, é uma longa bebedeira, e o Dióniso é o louco. Na ciência sagrada da Simbologia, o louco se move, ou comove, bem fora, desse modo, do mundo da «Pólis», da Polícia polida e por isso politiquice. Ou melhor: dos Arcanos Maiores do Livro de Thoth, o estulto é a única lâmina que não está, deveras, numerada, dessarte, e classificada. Mas do mundo do amente para o veraz pelotiqueiro, vai, aqui, um passo pequeno, o passo do palhaço para o mundo da Magia. E nós todos, agora, o sabemos muito bem: o Poeta foi expulso, por Platão, da República sua, ele induz os educandos a acreditarem nas mentiras, no mitos e nas sombras: se a Matemática, por isso, é o «Logos» do mentar, a Poesia, leve e breve,  é a plaga do mentir. Ou mehor: se a Mitologia é, das gentes, o sonho colectivo, o sonho é, para a pessoa, o Mito particular. Concordamos, caroável, concordamos, do cor, com António Cândido Franco: o Professor de Literatura, ele é solerte, ele é manhoso, contador de mentiras – e das mentiras ele faz a profissão de fé. Minha Poesia, por isso, ela é falante e aflante – e se inspira pois no mar dos ventos libertários. Sabereis, vós todos da audiência, que a Poesia é qual o Pão do «pensamento selvagem», ou melhor: que Sigmund Freud, o Promotor da Psicanálise, reconhecia nas crianças, no carisma dos Poetas, os antepassados, deveras, da funda e facunda Psicologia. De tal modo que, ao receber, em Viena, o dramaturgo Lenormand, Sigmund Freud, ao mostrar-lhe a Biblioteca, lhe confessou que a Psicanálise tinha por fundo, e fundamento, a Obra dos Poetas. Se o Sófocles, por isso, é o Autor e promotor «O Édipo Rei», o mesmo mitologema se reflecte, e se repete, na «persona» do Hamlet – e eis, aqui mesmo, o charme e o Shakespeare. Pois sigamos, na cita, o Guy de Maupassant: «Os grandes artistas são aqueles que fazem a Humanidade aceitar as suas ilusões particulares»; por isso falava, o Surrealista, da imagem estupor, estupefacta e estupefaciente. A talhe de foice, em facúndia, dizia ainda mais, o Autor da Psicanálise: a histeria, de feito, é obra de Arte deformada, a histeria, pra Breton, a maior descoberta poética de todo o século XIX. Na França afinal, do oitocentos, cruzaram-se, para a crítica, os dous grandes homens: um era Neurologista, em Paris, e estudava o hipnotismo, era o Jean Martin Charcot; o outro era Poeta, Proudhoniano, e dava pelo nome de Antero de Quental. Este encontro, digamo-lo agora, foi real mas é simbólico, ele a-presenta, ou re-apresenta, toda a história, ou toda a saga, da Psiquiatria dinâmica do século XX, e outrossim do XXI. Pois, tanto o Platão, como o Estagirita, eles são concordes, são unânimes num ponto: sem um pouco de loucura não existe, deveras, verdadeiro, ou verídico Poeta. Nos socorremos, aqui, de Karl Jaspers: contra o «Logos», contra a Ordem do Dia, insiste e resiste a Paixão pela Noite – e tal é a antinomia, Amigo leitor, entre Apolo, dessarte, e a dipsomania...........
De um lado, pois, o jugo, e antinómico, o jogo. O jogo do jocoso, do pelotiqueiro e do jogral – ele é a lâmina primeira do Tarot de Marselha. O Doutor Freud, quanto a nós, ele não descobriu o Inconsciente; o Inconsciente foi manipulado, em todos os séculos, sob o signo da Magia – e foi preciso que viesse um Mesmer, no século XVIII, pra que descesse, o mesmo inconsciente, do céu à terra, do mundo dos deuses para a prática dos homens. Dizia a Mesmer o Mozart: o poder sugestivo da Música se encontra, veramente, na experiência magnética. E, mais ou menos por esta altura, Marquês Armand de Puységur substituiu o magnete por o sonho acordado, e o sonambulismo. Campeava em Paris, por esta altura, um famoso luso-goês: referimo-nos ao Abade José Custódio de Faria, porventura, dessarte, o primeiro Português na Psiquiatria Dinâmica. Chamava, o nosso Abade, o «sono lúcido» à hipnose – e foi tanta a sua fama que fez, Alexandre Dumas, do Faria solerte, uma «persona», fantasmática, de «O Conde de Monto Cristo». Lhe consagra, afinal, um volume, o Doutor Egas Moniz.. Mas remembremos, aqui, a assertiva de Kant ( «o louco é aquele que sonha acordado» ); o desconchavo, afinal, do Malebranche ( que «a imaginação é a louca da casa» ). Contra o primado da razão, revelou, o Doutor Freud, ao filho do homem, que ele não é sequer senhor em sua própria casa, que, mais do que pensarmos, nós somos os pensados por o nosso inconsciente. E tal descobrimento, ou tal passo de gigante, só pode ser ser similar à revolução copernicana, ao Evolucionismo, trabalhado, de «A Origem das Espécies». E ficou, derreado, o «cogito», conjectura, do veterano Cartesius. Mas dirá, neste lance, o filisteu, que estamos a ser filósofo, e os filósofos são doidos. E nós redarguiremos, nós outros, na crise: no século pregresso, os majores, maiores ataques, colectivos, de histeria, tomaram forma nas Musas, foram concertos, figadais, dos «Beatniks» e «Beatles»; isso é o fundo, o fundamento e o fundamental. Se queres, tu, tomar contacto, com a Musa inconsciente, assiste à semifusa na peça teatral – ou toma, pois, o avião, tu vai para o Brasil, e tu assiste, carioca, ao caroável Carnaval – e tu verás, aqui, o Momo, tu verás, aqui, pujante, a festa da Anarquia. Da folia, finisterra, e por isso da Anarquia. Ou da Lira libertária, ou da língua, libertina, de Luís de Camões… Psicanálise, afinal, uma hermenêutica Arte. Ao decifrar, no jogo da mente, dos pacientes os sonhos, será, o Psicanalista, um novo Champollion perante os hieróglifos. Pois quer o sonho, quer a neurose, são simbólicos – e é tudo uma questão das lítotes, litorais, das metonímias e metáforas. Ratificando, rectificando e concluindo, o sonho é uma alucinação que nós temos diariamente – e o nosso inconsciente, afinal, a criança adormecida adentro do adulto. E no estro e na estrofe, e quanto ao estrogénio? E quanto à obscenidade, que é fora de cena? O obsceno, corpo a corpo, o obsceno, pra Lacan, o discurso do Outro. Que alegoriza e simboliza, quer dizer, que fala, para Grade, doutra causa e doutra coisa. Continuemos, aqui, na récita real: para Joseph Babinski, discípulo de Charcot, o pitiatismo, no transe, é próprio da Pítia – e tanto para o Actor, como para o auditório, a cena teatral, ou a «mystery play», é satisfação, na realidade, de neuróticas, ou tópicas, necessidades. Se o sonho, dessarte, é qual loucura, e amência, me seja lícito, aqui, um lance, ou episódio, autobiográfico: no ano, figadal, de minha Licenciatura – e era o ano, já distante, de 1986 – me segredou, no sagrado, ao ouvido, o Professor, e Promotor, José Augusto Mourão: «Se queres tu ser Poeta, toma muito cuidado, cuidado fiducial, com fantasias e sonhos – pois essa é escola, e o escopo, de teu progredimento.» Fui para minha casa, abri o Dicionário – e eis, biblicista, a minha experiência de bibliomancia: abrindo, ao acaso, o estimado Glossário, quedou-se a minha vista no significante: e soletrei, na soledade, a palavra «psicodrama». Quero eu dizer: em primo e em primeiro, em lugar primordial, encontra, o trovador, a certa, certa nota para a palavra adequada; em tópico segundo, ou sagrado segredo, para o grande Lacan, o deslocamento, e a condensação, são, na Ciência dos Sonhos, as metonímias e metáforas; e «topos», alfim, ou tópico tércio: falamos, em Psicanálise, da Clínica do Estilo, como se fala, em Literatura, do Estilo dum Autor. Que «O Estilo é o homem», dizia Buffon, o homem, literal, a quem nos dirigimos. Que a profissão do analista é feita de palavras; na mental etiologia, tudo é discurso, é sabor e o saber do significante. Devolvamos, assertava o vienense, devolvamos, às palavras, seu avito poder mágico. Concordamos, caroal, concordamos em cor. Quero eu dizer: a partir da perspectiva, ou da vida a partir, «Eu sou eu, e a minha circunstância»; assim o asseverava o Ortega y Gasset. E perspectivista, mas nanja nietzchiano, eu torno-me, dessarte, aquele que sou. Não sou, como asseveram pessimistas, aquilo, acabado, que fizeram de mim. O que interessa é o que eu faço, figadal, daquilo, ou do clima, que fizeram de mim – e eis, aqui mesmo, o conspecto, e aspeito, do Criacionismo. Citamos, leve e breve, o Leonardo Coimbra: «O homem não é uma inutilidade num mundo feito, mas o obreiro dum mundo a fazer.» Para fazer a grande Obra, é preciso passar, frequentemente, por a experiência do êxtase – e «ek-stático ex-sistere» é isso mesmo, é o viver, entusiasmado, e fora de si  - e por isso falava, o Jacques Lacan, da ex-centricidade do Ser… Citamos, de memória, o «Ferdinando Persona»: «O Génio é a loucura, normalizada, pela diluição no abstrato, tal  como um veneno que, mediante mistura, se converte em medicamento.» - e não sentes, pois, aqui, o ápice, ou acume, da Poesia Portuguesa???
Avoquemos, no lance, «Eu próprio, o Outro», de Mário de Sá-Carneiro – e invoquemos, aqui, o «Outro de si mesmo», do António Ramos Rosa; para Jean-Arthur Rimbaud, o «Eu», dessarte, «é o Outro». Sabemos, certamente, nós sabemos, seguramente, que, em busca de solução para o seu  problema e dilema, a 10 de Junho de 1919 Fernando Pessoa escreveu uma carta a dous Psiquiatras franceses: e eram Hector e Henri Durville. Pelo exposto mais atrás, podemos, portanto, asseverar: o trabalho do analista, apurado e acurado, é como o ofício do Crítico Literário, ou melhor: quer um, quer outro, eles trazem, no texto, à luz do dia, o material recalcado no inconsciente arcaico. Ouçamos, no gabo, ouçamos, filómito, o Gustav Theodor Fechner: a psique humana é um lato, um lauto icebergue; um oitavo desse icebergue está visível e acordado, sete oitavos são ocultos e são, no fantasma, o Inconsciente. Eles são, falando em tropos, uma África profunda. José Augusto Mourão, como Crítico e Escritor, ele tinha razão naquilo que dizia: a hermenêutica dos sonhos releva, em Literatura, uma auto-análise: e eis a escola e o escopo da especulação. Era concorde, o Freud, com Zé Augusto, afinal: são os sonhos, dessarte, a via nobre, ou via régia, para a exploração, e explanação, do nosso Inconsciente. Que o Eu, por isso, se volva em muitos; sintamos tudo, e deveras, de todas as maneiras. Devidamente informado, nós queremos asseverar: em «Ferdinando Persona», muito mais que esquizofrenia, ou divisão da personalidade, ou demência precoce, nós temos, ampliada, a «persona» dilatada. E a loucura superada na escrita e pela escritura. Se ele mesmo se classificou qual histero-neurasténico, sabemos nós, a partir de Josef Breuer: seguindo e segundo o Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, a histeria é uma «neurose na qual as moções pulsionais sofrem especial recalque e são inconscientemente traduzidas em sintomas corporais». Por isso o Nume, por isso o nome: neurose de conversão. Ora a grande descoberta da augusta Psicanálise, é que a sintomatologia, se revela e desvela na Simbologia – e as «reminiscências arcaicas» do Pai de Anna Freud, elas são, para Jung, os arquétipos arcanos. Os arquétipos arcanos do oblativo, colectivo inconsciente. Sigamos, passo a passo, o Doutor de Viena: toda a neurose é fixação, ou regressão, à infantil sexualidade – e a criança é deveras um «perverso polimorfo» - e a neurose, por isso mesmo, o negativo da perversão. Quanto mais antiga, e arcaica, for essa fixação, maior e major a patologia. E em Comparada Letradura, segundo o Charles Baudelaire, o Génio poético é infância reabilitada, e por isso, revisitada. «A criança», por exemplo, para Wordsworth, «é o antepassado do homem»: se reflecte e repete, a filogénese, em ontológica ontogénese. Tudo isso é muito bonito, diria o Voltaire, mas cultivemos, deveras, o nosso jardim.
E quem não for como um menino, segundo o Cristismo, ele não entrará no Reino dos Céus – pois é regresso, a Obra de Arte, à fase mágico-simbólica; as palavras, para o Poeta, são símbolos ou imagens, são icónicas, ou fónicas, representações. Que a fase mágico-simbólica, que vai dos dous, dessarte, aos sete anos de idade, a fase da Magia, pré-operacional para Jean Piaget, apresenta os caracteres muito gratos às Artes, como sejam, «verbi gratia», a mente animista, a não destrinça entre a aparência e a realidade e o pensamento egocêntrico, mágico ou intuitivo, a Poesia, ela própria, a máscara teatral para «Ferdinando Persona».
Nossa prima conferência, assim, se chamava: «Desenvolvimento Tecnológico Versus Humanismo e Tecido Social». Nela aventávamos, no lance, a verdade, portanto, seguinte e requinte: a hegemonia crescente do racionalismo, e positivismo, no mundo ocidental, veio arrasar, tornar roaz, o mundo da Magia, do magnete ou das imagens;  no «processus» da mecânica, ou da máquina-manípulo, só ficou, para o Poeta, o papel de Saltimbanco – e esse, o Tarot, pois essa a Teoria. E invocamos, aqui, António Telmo, nós avocamos, aqui, Tomé Natanael: o que será, nos Poetas, a descida aos infernos, senão expressão, preste e pronta, da parte inconsciente? Unindo, por isso mesmo, o Freud ao Estagirita, no solerte Psicodrama nós temos, alfim: para iludir a censura, se revela e se reveste, o material inconsciente, dos motes e metáforas, dos tópicos e tropos – e no mundo do espectáculo nós temos, alfim,, a «imago» especular: será que a Arte imita a vida ou a vida imita a Arte???
Para citarmos Mário Máximo, sejamos o nautívago, continuemos, dessarte, a viajar ou navegar. Como ensinava o Carlos Dias, o professo, no Colégio Militar, «agora vamos às palavrinhas». Etimologicamente, o hino, ou himeneu, é o rompimento do hímen. O carme, para os Latinos, é poema e a canção – mas ele é, outrossim, o esconjuro e o presságio, a mágica operação. Quero eu dizer: se associa, o carme, ao chantre e ao charme. Se compensa pois a dor já pensando ou pondo o penso; o exprimir é extirpar, e o espremer, o pus e o fel da narcísica ferida. O Isso fala, segundo o Freud, e simpatia, ou empatia, é remédio e consolo para a patologia – e Carl Rogers, aqui, não anda longe. Curiosamente, o «hipócrita», que vem do grego «hipokristés», significava, inicialmente, o «oráculo, adivinho, oniromante e profeta». Passou depós, ou depois ( e seguimos Orlando Neves ), a incluir a ideia de «mentiroso e velhaco», e ainda «actor, comediante, aquele que no palco interpreta a “persona”». E quanto, agora, ao grego milagre? Etimologicamente, o «Profeta» significa, na signa, «o intérprete de um deus, um adivinho, aquele que interpreta as palavras de um oráculo». Ora o que asserta o Platão, em «Fedro» culto, e oculto, é que a «mania», dos Poetas, não é pois loucura no sentido psiquiátrico, ela é, sobremaneira, uma forma de mancia – e que o Poeta suflado por a mania sagrada, ou hieromania, ele ofusca, ele suplanta e ultrapassa, o Poeta sem vesânia. E, de acordo com os gregos, adivinho, para os Latinos, é o que abraça e enlaça o ofício divino. Ainda e sempre, meu Amigo, para o Autor de o «Banquete», a mania dos Poetas é «delírio divino», e à Musa se juntam, no jogo das palavras, à Musa se juntam o delírio de Afrodite, das cerimónias de Mistérios onde é divo o Dionísio, e de Apolo ou da Pítia no áugure pítico – e Pitágoras, aqui, é Cabala fonética. Pois muitas vezes, o Génio ( o Génio, para os Latinos, aquele que gera, o Génio, segundo a Língua, o Engenheiro das Almas ), ele templa e contempla a generalidade, a generosidade, da Ideia Platónica – e por isso ele se move, se movimenta tão mal, no mundo prático, e vulgar, da razão suficiente. Andamos nós, nas Ciências Humanas, a cumprir o destino, ou desatino, do Tales de Mileto – e ao escrutarmos, na verve, a abóbada celeste, nós caímos nos buracos abertos na terra – e por isso a Poesia é qual funâmbulismo, é «O Fio da Navalha» pra Somerset Maugham.
Ainda uma cousa, mais uma cousa, a propósito, ó ledor, da genialidade: ela acura, simboliza e sublima a genitalidade. Se a semente, sementezinha, é qual Palavra de Deus, entre o sémen e a Palavra existe pois apenas a feraz analogia, a semelhança da sêmea e portanto do sema. E isso mesmo, na canção, o Freud crismou de sublimação. Se a especulação, inicialmente, era o templar o sidéreo com a ajuda dum espelho, daí o siderar, o con-siderar, e em transe ficar. Para admirarmos, entanto, e mirarmos o «miracle», eis, mirabolante, uma oração…do coração. O coração, que dá coragem, o coração é pois a voz do Profeta, e Poeta, é aquilo pois que gera o entusiasmo. Ou melhor, na mancia: para ser Escritor, Filósofo e Poeta, é preciso ter talento, é preciso ter engenho, é mister o cultivar, e cultuar, o Génio sublime. Pois esse Génio, para os Gregos, é «daimôn», é o intermediário entre os deuses e os homens……
Que o Poeta, ou Profeta, para os Hebraicos, é «Nabî» - e «Nabî» é palavra aparentada com «naipe». Os «epoptai», Videntes, ou Iniciados, se nominavam «Nebim», que vem de Nebo, o deus da Sabedoria na augusta Babilónia. Se a Bíblia Sagrada, por os livros de Moisés, condena os adivinhos, os feiticeiros, e a necromancia, a visão do mundo astral, e a profecia, são dons que o mundo Hebraico reputava do Céu. Os Poetas, então, eram fonte eminente, eles eram Sábios, advogados, e consellheiros dos Reis. Todos os teólogos, na Antiguidade, eram Poetas, por isso ouçamos, na Ágora, ouçamos, agora, o Heidegger ilustre: «O pensador diz o Ser. O Poeta nomeia o Sagrado». Ora o verbo derivado desta palavra, «Nabî», significa, ou tipifica, o «delirar» e a louquice. Nós diríamos, hoje em dia, o delirar ao som da Lira. Pra sublinhar a alteridade, quero eu dizer, a origem, divina, da sua mensagem, assim proferem os Profetas: «Assim fala Iahweh», «Palavra de Iahweh», «Oráculo de Iahweh». Parafraseava, livremente, o fautor e promotor de «A Gaia Ciência»:  assim falava «O Anticristo», «Assim falava Zaratustra».
É altura, meu legente, é altura de findar. Poucos anos depós de os «Estudos Sobre a Histeria», esse livro liminar, publicita, Sigmund Freud, «A Interpretação dos Sonhos», em linguajar psicanalista «O Livro dos Sonhos». E em firme Firmamento, é tempo de afirmar: devido à transferência, Charcot foi para Freud o mesmo que haveria de ser, o Autor da Psicanálise, para Carl Gustav Jung, ou para o Carl Gustav «Young». E até 1893, tinha, o Doutor de Viena, ao seu dispor, a Catarse de Josef Breuer, a Hipnose de Charcot, e a Sugestão de Bernheim. Todas as três, juntamente com o Psicodrama, os móbiles e meios da Psiquiatria dinâmica. E que mais?, pergunta, sem medo, o ledor. «Entre o fortuito e o acaso, um passo», nos diz, em síntese, o Poeta João Belo. «Não é por acaso que nada é por acaso».
 
Queluz, 27/ 09/ 2013
 
SIC ITUR AD ASTRA
 
PAULO JORGE BRITO E ABREU
 
 
 
 

 




 



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