::::::::::::::::::::::::::::::::Rodolfo Alonso::::

7 POEMAS INÉDITOS RECENTES
DE RODOLFO ALONSO
Trad. de Anderson Braga Horta

RODOLFO ALONSO, POETA DA NUDEZ ESSENCIAL
por António Ramos Rosa

Logo nos primeiros poemas de Rodolfo Alonso se nos depara a vontade de construir un mundo humano e o desafio à adversidade do destino e opacidade do real. Mas esta vontade de construção não é idealizante e só se efectiva mediante a defrontação contante com o negativo da condiçao humana. Rodolfo Alonso é o poeta da esperança e da clara afirmação dos valores humanos que é necessário defender para a construção do mundo. Todavia, o poeta no possui uma ideologia ou uma mensagem, uma vez que o poema surge como realidade fundadora de um sentido não predeterminado, que vai despertar e consumar a vontade de construção humana. Esta vontade é muito forte e quase redunda numa afirmação ideológica dos valores da construção humana. Mas Rodolfo Alonso é sempre fiel as exigencias radicais da construção poética, evitando a sobreposição ideológica e a retórica dos princípios declarados. Todavia, a vontade construtiva é bastante acentuada e claramente definida, como neste passo: “la que yo amo está cerca de mí / nuestra fuerza es la fuerza de los hombres / está en mis venas y en mis músculos / caliente como el pan como la sangre como el vino”. Estes versos são menos uma declaração de princípios do que a assunção de uma força que engloba os valores elementais e sagrados do homem ligados à comunhão fraterna ou à construção de uma comunidade viva e autêntica. Toda a poesia de Rodolfo Alonso é animada por este fervor ético e elemental e, decorrentemente, por valores humanos que incidem na construção do mundo segundo os vectores de uma sensibilidade e de uma afectividade constantemente elaborada e vivificada pela criação poética. Assim, a liberdade nunca se dissocia da fraternidade, nem o amor da dignidade, nem o domínio pessoal do sentido da comunidade: “he construído mi dominio / tengo el día la ciudad el pecho de la lluvia / la libertad como una mano”. Mas se esta poesia tende sempre para o encontro numa comunidade viva, actual ou projectada no futuro, por isso mesmo está atenta à dor e à solidão, a tudo o que limita o homem na sua possibilidade de uma abertura ao mundo: “Escucha, en la alta noche, los aullidos del solitario. Él ronda las huellas recientes de tus pasos que aún gimen en la arena; él se ajusta a tu recuerdo, bebe el hálito acre que has dejado vibrando en cada sitio, en cada gesto, en cada interminable noche.” Todavia, a poesia de Rodolfo Alonso não está virada apenas para o domínio humano; na sua sobriedade expressiva, ela é também a exploração do obscuro mundo latente que não se pode ignorar sem perda da integridade poética e humana: “Vamos a adelantar un pie sobre el absurdo. / Vamos a conocerte: mundo incierto y animal, agua madura. / Estos ríos cavan la verdad silenciosa. / Necesitamos su virtud, su falta de costumbre, su vida de aventuras. / No se les puede dar la espalda.” A atenção à vida elemental é, neste poeta, não uma assunção exuberante e eufórica ou dionisíaca, mas um delicado veio da sua poesia. Mas esta delicadeza, que caracteriza toda a sua obra poética, não significa pobreza ou falta de intensidade poética, porquanto é uma condensação estética de grande efeito expressivo na sua pureza radical e na sua claridade formulativa. Este despojamento revela a um tempo uma grande força poética e a capacidade de a transmudar em formulações claras e simples de uma evidência nua e de uma essencialidade extrema: “incierta / fácil // tu mirada deslumbra / en el mal // inclinada / segura // yo te he visto volverte / entre los otros / en la luz // yo te he visto / te he amado // limpia // oscura”. Podemos dizer que a poesia de Rodolfo Alonso visa sobretudo criar uma palabra evidente e clara que corresponda a um “olhar nu” que abarque o real numa síntese breve e fulgurante: “no quiero perder / la mirada desnuda // la mirada implacable / la mirada cambiante / que dejas caer a veces / sobre mí // humillados // bajo el peso húmedo de la violencia / no morirán los ojos del amor // sometidos // no cesará la mirada inalterable // grietas / manos blancas // los ojos que sostienen el mundo no deben detenerse". Esta síntese é plenamente conseguida, sem prejuízo da riqueza do que é formulado e sem, de modo algum, trair a força criadora e o mundo selvagem e insubmisso que lhe subjaz. Por isso, a voz que o poeta procura é a “voz errante”, “a voz temível e ágil que ilumina o sangue”. Este é o domínio do informulável, quer dizer, do sagrado: “hay un abismo al borde del silencio / en lo alto de la voz // viviremos a merced de su aliento sagrado”. Assim, esta poesia extremamente condensada e breve, é uma poesia aberta ao mundo e à realidade humana sem interposição ideológica, animada por um permanente sentido ético de comunhão fraterna e pela vibrante intencionalidade de um olhar que se abre à nudez essencial do mundo visível e ao domínio invisível inerente ao ser.

Rodolfo Alonso. Poeta, traductor y ensayista argentino. Fue el primer traductor de Fernando Pessoa en América Latina. Premio Nacional de Poesía (1997). Orden “Alejo Zuloaga” de la Universidad de Carabobo (Venezuela, 2002). Gran Premio de Honor de la Fundación Argentina para la Poesía (2004). Palmas Académicas de la Academia Brasileña de Letras (2005). Premio Único de Ensayo Inédito de la Ciudad de Buenos Aires (2005). Premio Festival Internacional de Poesía de Medellín (Colombia, 2006).

 

 

 




 



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