LUÍS COSTA:::::::::::::

Pássaro-Abril com imagem de Max Ernst

vão dizendo as coisas obscuras
pela boca da mulher que chega
que grave crava as mãos na terra
e o sangue ilumina - se panorâmico
no seu corpo de lua
vão dizendo as coisas obscuras
e andam à volta da fabulosa árvore que cresce
nas vértebras de um animal inerte
para que o homem se aproxime
e lesto agarre o pássaro de gelo
ainda sombra em seu voo profundo
- dentro do corpo da mulher

Nota: este poema faz parte do livro ( 5 2 poemas )
" do começo do fogo ou o livro dos fragmentos "
que talvez venha a ser publicado pela editora Lumme no Brasil em 2012

25 de Abril de 1974. Revolução dos cravos. Era a esperança de construirmos um país mais justo e melhor. Foi uma grande oportunidade. Infelizmente, devido a uma série de falhas, entre estas a preguiça e o oportunismo, temos hoje um país vendido, à beira da ruína. 37 anos depois podemos perguntar: que fizemos nós ( todos ) da grande oportunidade que nos foi dada?

Luís Costa

Luís Costa nasce a 17 de Abril de 1964 em Carregal do Sal, distrito de Viseu. É aí que passa a maior parte da sua juventude. Com a idade de 7 anos tem o seu primeiro contacto com a poesia, por meio de  Antero de quental, poeta/ filósofo, pelo qual nutre um amor de irmão espiritual. A partir dai não mais parou de escrever.

Depois de passar três anos  num internato católico, em Viseu, desencantado com a vida e com o sistema de ensino, resolve abandonar o liceu. No entanto nunca abandona o estudo.  Aprende autodidacticamente o Alemão, aprofunda os seus conhecimentos de Francês, bem como alguns princípios da língua latina. Lê, lê sem descanso: os surrealistas, a Geração de 27, Mário de Sá-Carneiro, Beckett, E. M. Cioran, Krolow, Homero, Goethe, Hölderlin, Schiller, Cesariny, Kafke e por aí adiante. Dedica-se também, ferverosamente, ao estudo da filosofia, mas uma filosofia viva. Lê os clássicos, mas ama, sobretudo, o poeta/ filósofo Nietzsche, o qual lera pela primeira vez com a idade de 16 anos : "A Origem da Tragédia" e o existencialista Karl Jaspers.

Mais tarde abandona Portugal rumo à Alemanha, pais onde se encontra hoje radicado.

 

 

 

 




 



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